12/04/2025
A galinha foi buscar água no brejo. De repente, uma cobra surgiu das águas com um bote certeiro. A galinha pulou para trás, os olhos arregalados, quase desmaiando de susto.
— Olha só… uma comida facinha — sibilou a cobra ardilosa.
A galinha, gaguejando, desesperada, disse:
— Póh… póh… não me devore, dona Cobra! Só quero levar água pro meu filhinho… ele está chorando de sede!
Mas a cobra não deu ouvidos. Chamou as colegas, que emergiram da água e avançaram como um furacão, sem freio, querendo devorar a pobre galinha.
Com as pernas bambas, a galinha correu como pôde e chegou em casa arfando, cansada, rasgada e ferida — trazendo o balde vazio. Nenhuma gota de água.
— Vai deixar eu morrer de sede, mamãe? — perguntou o filhinho, com os olhinhos cheios de lágrimas.
A galinha, com um nó na garganta, andava de um lado pro outro sem saber o que fazer. Não havia água em lugar algum. O único poço que ainda tinha um restinho estava tomado pelas cobras — nenhum animal ousava se aproximar.
Foi então que o Urubu apareceu, com um olhar inesperadamente generoso, trazendo uma cabaça cheia de água.
— Tome, dona Galinha. Salve o seu filhinho. Encontrei uma nascente escondida… água limpa, cristalina. Corre até pro mar.
O Cavalo, que estava ali perto, arregalou os olhos e gritou:
— Não tome essa água! Esse Urubu é safado!
E, sem pensar duas vezes, deu um coice certeiro que quebrou a cabaça. A água escorreu no chão seco.
O Urubu apenas abaixou a cabeça. O Cavalo então contou:
— Na última seca, esse mesmo Urubu enganou a Vaca. Disse que tinha um pasto verdinho pra ela matar a fome. Mas quando ela chegou lá, ele colocou uma lente verde nos olhos dela pra que visse os matos secos como se fossem verdes. Ela comeu tudo — capinou o quintal dele achando que era pasto fresco!
— A pobrezinha quase morreu com dor de barriga. E sabe o que ele fez? Ficou deitado na rede, assistindo tudo… E só não foi tragédia porque o Bode chegou a tempo e salvou a Vaca.
O Cavalo finalizou, cuspindo no