21/08/2026
Às vezes, a criança até quer comer, mas mastigar, organizar o alimento na boca e engolir exige muito mais esforço do que deveria.
Durante uma refeição, não observo apenas o que a criança aceita ou recusa. Observo como ela mastiga, se consegue lateralizar a língua e levar o alimento até os dentes, se acumula comida nas bochechas, se demora muito para processar o alimento ou se precisa de líquido para conseguir engolir. Também me chama atenção quando existe uma preferência muito marcada por consistências mais fáceis e uma recusa frequente de carnes, folhas, alimentos fibrosos ou outras texturas mais desafiadoras.
Tudo isso ajuda a compreender melhor por que alguns alimentos podem ser tão difíceis para aquela criança.
Observar, porém, não é diagnosticar. A avaliação específica da motricidade orofacial, das funções orais e da deglutição é campo de atuação do fonoaudiólogo. Ao nutricionista que trabalha com dificuldades alimentares cabe ter conhecimento suficiente para reconhecer quando algo não parece estar funcionando bem e quando é necessário encaminhar.
Antes de concluir que uma criança simplesmente “não gosta” de determinada textura, vale pensar: será que ela consegue manejar esse alimento de forma eficiente e confortável?
Uma boa avaliação alimentar também passa por reconhecer os nossos limites profissionais e entender quando aquela criança precisa do olhar de outra especialidade.