Me pediram para contar uma história sobre búfalos e queijos.
Decidi contar uma que ainda não tem fim.
Está história começou no ano de 1985, ano em que compremos a Fazenda Santa Helena em Sete Barras no Vale do Ribeira SP.
Resumindo muito pulamos pro ano de 1998, quando comprei minhas primeiras “meninas”, no começo ficaram num canto da fazenda “só por gosto”.
Eu lutava com bananas, pupunha, peixes, gengibre e mais umas coisinhas...
De tanto escutar os conselhos da Carmen, minha esposa, consegui finalmente começar a ser feliz, um dia pelos idos de 2001, abria a porteira do bananal e da pupunha e deixei minhas meninas comerem tudo.
Em 2002, já estava vendendo leite e participava da Associação dos Criadores de Búfalos do Vale do Ribeira (ARIBUVAR) como vice-presidente, sempre acreditei e continuo acreditando na união dos produtores e respeito as suas necessidades.
Neste mesmo ano, durante a reunião de final de ano da ACRIBUVAR, acabei me indispondo com o dono do único laticínio que comprava leite na região, por defender os produtores.
Conclusão de um dia pro outro não tinha mais o que fazer com meu leite.
Bom não tinha quem comprasse mas tinha o leite, conclusão direta para um filho de latinista, fazer queijos !
Comecei a me informar, relembrar minhas aulas de tecnologia dos alimentos e conheci meu primeiro mestre e grande amigo Antônio Peniche , com ele e meu companheiro de massas a até bem pouco tempo atrás Edgar Martins, começamos a desvendar os mistérios da massa filada.
Muita coisa se passou e em 2005 estava só com minha esposa em uma sala improvisada na fazenda “cozinhando Leite de búfalas” já com a marca Fazenda Santa Helena.
Fazíamos, vendíamos, comíamos e vivíamos a nossa mozzarella, sempre com os filhos acompanhando e esperando para comer da massa recém filada.
A “coisa” foi crescendo e perto de 2007 o Edgar voltou a trabalhar com a gente, contratamos mais um ajudante e eu além de continuar fazendo queijo, caí no mundo para fazer vendas e aprender mais.
Andando um pouco mais rápido, pra ninguém dormir em 2013 já com o queijo estável e definido, meu queijo foi apresentado ao Fernando Oliveira de A’Queijaria, deste dia até uma amizade e parceria sólida se arrastaram longos 2 meses.
Fernando meu segundo mestre e também grande amigo, me iniciou nos segredos da massa curada, me abriu portas de “cavernas úmidas” que transformam um simples queijo bom em obras de arte.
As Mozzarellas já estourando, fresco de leite de búfala, ricota de leite de búfala e agora os curados de leite de búfala , falta ainda um dos maiores sonhos, um laticínio registrado.
Realmente o que mudou?
Praticamente nada, ainda fazemos um queijo muito honesto e de forma tradicional, queijos com histórias próprias, nomes próprios, que consumimos e vendemos com a maior tranquilidade, pois confiamos no processo e cuidados que recebe.
Nossos queijos continuam com sua qualidade única, qualidade que os levaram a ganhar 2 medalhas de prata e 9 de bronze no II Premio Queijos do Brasil e 1 medalha de ouro 1 de prata e 5 de bronze no III Premio Queijos do Brasil.
Qualidade que é projetada ao ser pedido pelo seu nome próprio. Não produzimos burratas produzimos Cremas, não são curados são Santinhos, Primonatos, Vales do Ribeira, Pereirinhas, Ribeirinhos , Ambrósio e alguns outros, não é frescal é Frescos de Búfalas, não são bolas são Mozzas , por aí vai.
Mesmo tomando um grande tombo no ano de 2018, consegui me levantar , limpar a poeira e enterrar o lixo.
2019 começou com uma purificação da alma, sempre que caio , mesmo quando o buraco é fundo e inesperado , aprendo !
Voltei “ Pra Casa” , estou outra vez dentro da paradisíaca paisagem da Fazenda Santa Helena, lá sentimos toda a força do Criador , na exuberância e força da natureza, na clareza das pessoas e no amor que sinto em produzir .
Com dois novos colaboradores meu filho João Pedro e meu funcionário Josiel , voltando a trabalhar “ Os Mistérios da massa filada e da massa crua e pensado em começar a desvendar a massa cozida “
Como antes pensava agora pensamos: o queijo nasce na fazenda aonde vivem e trabalham e produzem seres felizes e satisfeitos em suas necessidades , cresce no laticínio aonde também trabalham e exercem sua arte seres felizes e satisfeitos e se transmuta ,alimenta e satisfaz seres que ficam felizes e satisfeitos. Ele é uma corrente que não pode nunca se quebrar.
Aprendi depois do tombo que se a “cadeia” do queijo se quebrar tem que ser refeita
Espero e acredito que está história está muito longe de acabar !