Touriga Irracional

Touriga Irracional VINHOS BRANCOS 🇵🇹 Nunca publico completamente sóbrio. Nem totalmente ébrio.

Quando o assunto é churrasco - e acreditem que é assunto muitas vezes - eu procuro 2 coisas: consistência de boca e fres...
05/07/2026

Quando o assunto é churrasco - e acreditem que é assunto muitas vezes - eu procuro 2 coisas: consistência de boca e frescura.

Tento evitar vinhos muito leves e estreitos pelo motivo obvio: o sabor da carne dá-lhe uma tareia tal que podíamos estar a beber Coca-Cola ou 7Up que seria (quase) a mesma coisa. Acrescentei o quase porque expulsei os refrigerantes da minha vida há muito tempo.

Os predicados que aqui descrevi, acreditem, não são a coisa mais fácil de encontrar. Porque se corre o risco de acontecer o contrário e a carne perder relevo à refeição.

Normalmente os vinhos com madeira adequam-se, mas nem todos. E, por isso, é talvez das escolhas mais demoradas. Tinha um 2016 que esteve na calha, um 2023 que também me deixou a pensar, mas acabei mesmo num Reserva 2019.

Com esta cor, o cenário dificilmente falharia. Que luz, que brilho. Repararam? Incrível.

Vinho com boa fruta logo de nariz, coisa até mais leve do que pensava.

Depois, quanto se bebe, está supimpa. Presença de boca , tal como eu queria, frescura impecável. A fruta não está pesada e mantém frescura e acidez até ao final da "mastigadela" conjunta entre comida e vinho.

Há travo baunilhado, sim, mas não penso que se destaque. Antes embrulha a fruta do que a esmaga. De igual modo com a carne.

Um Branco de preço medio, mas que entrega a níveis superiores.

Muito completo.

Kopke Reserva 2019

Já vou atrasado para este produtor. É que, por vezes, há vinhos que demoram a aparecer nos nossos circuitos e temos de s...
04/07/2026

Já vou atrasado para este produtor. É que, por vezes, há vinhos que demoram a aparecer nos nossos circuitos e temos de ser nós a ir à sua procura.

Os meus olheiros já há muito que haviam identif**ado o potencial e, por isso, a expositiva era alta.

E como, para hoje não queria um Branco de guarda pareceu a escolha quase óbvia. Com este calor, não é justo pedir aos mais velhos o que os mais jovens são capazes.

De facto, a conclusão veio confirmar a expetativa: há muito potencial por estes lados.

Vibra muito na boca, acidez elevada. Que luxo.

Fruta jovem, bem fresca, leve. Para já, claro. Isto vai levar outros caminhos nos próximos anos, digo eu.

Está um vinho muito delicado, bem interessante para tempo quente e pratos frescos.

Fim de boca quase cortante de tão fresca que a boca f**a.

Um Encruzado leve. Muito adequado. Muito futuro.

Quinta dos Carvalhiços Encruzado 2023

Nunca tinha olhado para 2016 como um ano de referência para Vinhos Brancos, mas com esta história de beber muitas vezes ...
21/06/2026

Nunca tinha olhado para 2016 como um ano de referência para Vinhos Brancos, mas com esta história de beber muitas vezes vinhos com 10 ou mais anos percebo facilmente que deve ter sido, de facto, um excelente ano para tal.

Desde Brancos das gamas altas até a Brancos de entrada, as boas experiências têm tido uma taxa de aprovação altíssima. Eu até arriscaria os 100% porque não me lembro de um único que não me tens sabido bem.

A principal questão com o vinho de hoje também é habitual: seria suposto este vinho estar com esta qualidade aos 10 anos?

Reparem, por exemplo, na cor. Está tudo dito.... Um amarelo carregado, mas não torrado. Dourado intenso, mas sem laivos alaranjados. Forte, mas límpido. Esta cor diz-nos imediatamente que este vinho deverá estar próximo de muito bom.

Fruta madura, mas ainda com um lado a raspar no cítrico, muita complexidade a cada gole.

Acidez elevada (e inesperada) que manteve o vinho cheio de frescura até ao fim, que até chegou rápido demais.

Para um vinho de 10 anos e impressionante a jovialidade do fim de boca, muito fresco e com grande complexidade.

Um vinho cheio de partes boas, mas, acima de tudo com um equilíbrio entre elas a todos os títulos notável. Sedoso e muito redondinho.

Se o pusesse numa prova cega com os amigos - as vezes prego estas rasteiras - alguns estariam disponíveis para pagar 25€ por ele.

Que energia que me transmitiu...Impecável!!!

Vinha da Foz 2016 , by

Quer dizer, o Instagram vínico nacional anda para aí aos saltos com Alvarinho a jorrar como se não houvesse amanhã e vós...
09/06/2026

Quer dizer, o Instagram vínico nacional anda para aí aos saltos com Alvarinho a jorrar como se não houvesse amanhã e vós pensáveis que eu não ia meter a minha garrafada... Desenganem-se.

Quando eu vi o aspeto das sardinhas que estavam no gelo, eu vi logo que estava ali uma excelente harmonização para o Alvarinho que estava no frio.

Por norma, tento não escolher um Branco de acidez muito elevada para acompanhar sardinhas. Gosto mais de "embrulhar" entre cada sardinha do que propriamente "cortar a direito" nesse intervalo.
E, por isso, escolho sempre de uma gama de clássicos de confiança que tenho disponível.

Este Alvarinho é, de facto, um clássico de Monção e Melgaço e, como ainda cá tenho de 22, a escolha estava facilitada.

A acidez, como eu pretendia, era delicada e propícia ao equilíbrio que o vinho apresentou.

Fruta muito bem dividida entre parte cítrica, de entrada, e leve lado tropical, mais perto do fim de boca.

Foi isso que até me marcou mais: a complexidade e o comprimento do vinho. Duração muito elevada para um Alvarinho tão novo.

Um Branco sedoro, cremoso até, que preenche muito bem a boca, sem ser avassalador.

Gostei muito do vinho, das sardinhas e dos dois juntos.
O que também não foi uma grande surpresa, se é que me entendem.

Regueiro Alvarinho 2022, by

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que me cruzei com este vinho. Era uma prova de várias referências deste produtor...
06/06/2026

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que me cruzei com este vinho. Era uma prova de várias referências deste produtor e este vinho foi a surpresa do dia, deixando na sombra outros até mais caros.
Lembro-me até que fiquei agarrado ao vinho enquanto se seguiam outras referências e, no fim, foi o único ao qual voltei, novamente por largos minutos

Assim que vi este 2019 na prateleira nem pestanejei. Que rica surpresa.

A acidez de que eu tanto tinha gostado há uns anos estava lá toda. Intocada. Ou melhor, dava a nítida sensação de que até tinha mais acidez do que antes. Não me lembro de tal impressão.

Talvez a alteração do perfil da fruta tenha ajudado (ainda mais) a que acidez sobressaísse.

A fruta está claramente mais madura, puxa mais para o tropical, o que leva o chumbo para outros patamares de complexidade. Mais camadas, mais variações ao longo da refeição.

Os aromas também estão a evoluir bem, mas mais depressa do que tudo o falado até agora.

Mas a acidez, credo, rasga tudo. De cima a baixo!

Matei saudades que não sabia ter.
Voltarei a matá-las, de certeza, mas agora com toda a consciência do mundo.

Que bom que está!

Quinta da Biaia Arinto 2019, by

Há muito que esperava este dia!Em 2018, este vinho entrava no Top Wine Spectator. Os queixos dos puristas vínicos nacion...
17/05/2026

Há muito que esperava este dia!

Em 2018, este vinho entrava no Top Wine Spectator. Os queixos dos puristas vínicos nacionais caíam em choque e horror. Como tinha sido possível ter-se chegado a isto, balbuciavam ainda com dificuldade.

Eu, que não sou de preconceitos mas sou muito curioso, comprei 2 garrafas, bebi uma delas e guardei outra.
Até hoje....

Recorri aos meus registos privados - sim, eu ando nesta vida já há algum tempo - e verifiquei que atribuí uma nota 4/5, já na altura um nota que considero muito satisfatória.

E agora, aqui estou, a provar um Vinho Branco, de grande tiragem, com 10 anos.
Um Vinho que tem sido alvo de muita chacota e escárnio em fóruns de conhecedores e especialistas, mas também junto de um público Nouvelle Vague que, não tendo o conhecimento dos anteriores, julga como eles ou ainda mais de cima.

A garrafa escura não deixava antever nada de coisa nenhuma, parecendo não querer estragar a surpresa.

A rolha começou a clarif**ar que podia acontecer qualquer coisa positiva, embora humedecida a 1/4, aproximadamente. Como não queria arriscar um milímetro, usei as lâminas.

Os aromas revelarem quase tudo: uma frescura intensa, a fruta fresca, mas algum tropical a espreitar, acrescentando complexidade.

Boca de acidez (ainda) muito presente e prolongada.
Mostra também aqui uma presença muito complexa e até uma presença em boca bastante superior ao que esperava.

O vinho está com muito vigor, não cansa nem enjoa nem com variações de temperatura.
Curioso um ligeiro amargor que ia surgindo a cada saída do copo, que funcionava como um género de corta-sabores a limpar o que estava lá dentro.

Está numa fase muito interessante, um Branco elegante com muito equilíbrio. Boa estrutura, para a gama.

Mas a principal novidade até se relaciona com o facto de que este vinho poderá ainda durar uns anos valentes. Isso dizem a acidez, a frescura e a evolução que ainda não se nota.

Sendo o mais sincero possível, três notas finais:

- Fiz a guarda, mas não contava com isto.
- Gostei muito e arrependo-me agora de não ter feito o mesmo para os anos seguintes.
- Vinhos de alto consumo nem sempre são de baixo nível.

Papa Figos 2016, by

A barreira dos 10 anos, a minha preferida, como sabem, foi mais uma vez completamente pulverizada.É que ou muito engano ...
11/05/2026

A barreira dos 10 anos, a minha preferida, como sabem, foi mais uma vez completamente pulverizada.

É que ou muito engano ou este vinho vai chegar com muita dignidade à barreira dos 20.

A acidez que vinho apresenta, a frescura que mantém, a vivacidade da fruta e o equilíbrio entre os anteriores são membros de uma equação com resultado muito positivo.

O vinho está vivo, está agradável. 0 2015 no rótulo parece ter sido erro de impressão.

Tenho bebido coisas boas, mas, p***a, este está impecável.
Apenas uma coisa neste Branco não mostra a dimensão adequada: o preço!

Valente vinho!

Tyto Alba 2015, by

Da rubrica Rótulos Que Já Não Existem, chego-vos do Alentejo. Saídos de Évora, seguir em direção a Beja e virar à esquer...
21/04/2026

Da rubrica Rótulos Que Já Não Existem, chego-vos do Alentejo.
Saídos de Évora, seguir em direção a Beja e virar à esquerda na Vidigueira. Poucos itinerários vínicos haverá mais alentejanos do que este...

O amarelo carregado faz, de facto, lembrar o calor da região, parecendo querer questionar se a comida esteja à altura de brilho tão intenso...

Pelo nariz, há um lado notório de evolução, mas também se detesta uma lado tropical que ajuda a vender o produto.

A boca diz que sim de imediato a essa fruta, que parece ainda segurar a inevitável oxidação que, para já, até traz bastante complexidade.
Perdeu fulgor em relação ao que já deve ter sido, mas adquirou um estilo que eu, não por acaso, costumo apreciar: fruto seco, tosta e, porque não, até algum lado mais para o caramelo.

Gosto disto, de provar estas coisas, de lhes dar oportunidade.

E, respondendo à vossa curiosidade, deu-se muito bem com ma trilogia de Bacalhau, Grelos e Broa.

Chaminé 2013, by

De quando em vez, a ocasião merece que se tire uma rolha a uma coisinha cuja expetativa já é muito alta mesmo antes de s...
29/03/2026

De quando em vez, a ocasião merece que se tire uma rolha a uma coisinha cuja expetativa já é muito alta mesmo antes de ser aberta.

Acaba, claro, por ser um vinho clássico do Dão, da casta clássica do Dão e, na minha perspetiva, com a idade classica que um vinho do Dão, mesmo sendo Branco, deve ser aberto. Aliás, não é só a minha opinião, uma vez que ainda esta semana lq passei e um produtor local referiu uma coisa parecida.

A expetativa foi cumprida, devo dizer, se não superada.

O nível de acidez que este vinho apresenta conseguiu-me surpreender. Limpa o palato, refresca a boca e estende o fim de boca.

Fruta elegantissima, complexa e estruturada.

Muita largura de boca, untuosidade qb para aguentar comidas mais fortes, assadas ou estufadas, por exemplo.

O conjunto destas partes soltas resulta num conjunto quase perfeito, que a idade equilibrou e cuja qualidade, que já lá estava, foi elevada a um nível de excelência.

Este 2016 vale cada cêntimo.
Dos mais recentes ainda não posso falar. A seu tempo, quem sabe

Desculpem o lugar comum, mas este vinho é uma verdadeira ode ao Dão.

Casa de Santar Vila dos Amores Encruzado 2016

Eu duvido que este Branco não esteja no meu Top +10 Anos de 2026.Que qualidade, senhores. Aromas de altíssima intensidad...
23/03/2026

Eu duvido que este Branco não esteja no meu Top +10 Anos de 2026.
Que qualidade, senhores.

Aromas de altíssima intensidade, com o perfume a espalhar-se pela sala. Um misto incrível de tropical e cítrico, uma coisa incrível para um alentejano de 2014. Impensável, quase.

Da cor, quase bem falo. Clara, viva, intensa. Tudo brilho.

Boca sumarenta, mas de fruta ainda bastante fresca, embora com um grau de complexidade muito elevado, isto sim, da idade em garrafa.
Felizmente, o tempo mexeu muito pouco no resto, porque não temos, por exemplo, ponta de evolução, como é visível mesmo a olho nu.

Uma acidez be***al que faz brilhar (e prolongar) o fim de boca.

Este vinho não era propriamente um entrada de gama em 2014, mas também não era o topo dos topos. No entanto, agora parece, porque eu apostaria que, em prova cega, este vinho apontaria para um preço muito mais elevado.

É o exemplo perfeito de como um Vinho Branco pode valorizar em termos quer vínico quer monetário com o tempo.

Não tenho a minha dúvida em dizer que está para durar...muito.

Incrível!

Altas Quintas Reserva 2014

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