18/03/2026
Princesa dos Egos
Pobre princesa da solidão refugiada
no castelo uivante dos sonhos
ela por muitos admirada
mas apenas um príncipe lhe abre os olhos
Ela em trapos se vestia
mas d'alma era rica e retumbante
e fronte ao espelho se despia
pro processo divino e desgastante
Adormecido seu corpo tão belo
ancião desejo e velho
de acariciar-lo e sentir-lo
pro processo divino e desgastante
Encontra-se posta ao caminho
viu que não seguia nada(ninguém)
ela era quem se procurava, no ninho
-de sua cama, para amar nada(ninguém)
Seu companheiro com semblante esforçado
fazia gestos de cão no cio
e ao estéreo gozo da caça, caçado
se afunilava como para o mar, o rio
- Oh escravo de meu prazer!
- oh condutor de minha alegria!
pois assim vivia a dizer
assim, de vez enquanto ria
A princesa que carregara sua cruz
abusava de seu príncipe dançando com a valsa
embora em meio à tanta luz
num gesto mor de escuridão...se realça
Os frutos vieram em seu corpo signo
e grávida de horrores e ilusão
gargalhava de lágrimas num apogeu sínico
com um punhal traiçoeiro fincado no coração
Seu príncipe de leal companheiro
vem agora ser o comediante menino
palhaço de um caminho longo(estradeiro)
de versos crônicos, apressados e cabotino
Corria de um lado pro outro
da porta ao encontro da janela
corria como se fosse de um mostro
corria do egoísmo que havia dentro dela
Os dias passam, me levando a beleza à morte
eu, dentro desse quarto que é o mundo
sonho acordado vendo minha sorte
exposto ao puder acariciada, exposto a tudo
A princesa via-se acariciada de beijos
via-se acariciada de mãos alheias
honra-lhe a volúpia de desejos
pois corre o líquido por entre as veias
Ele tão corajoso a respeita
tão fiel ao seu amor corrompido
dar-lhe os braços e a aceita
e voa com asas emprestada de um cupido
Rompe-se a aurora enfadada
com um toque que buscaram em outrora
como um toque mágico de fada
lembraram de todo firmamento nessa hora
Agora quem a Princesa dos Egos via?
era o príncipe fiel de seu inferno
que era ele mesmo olhando pra si e de si corria
que era a pura passagem do amor eterno,
Franklin Paulino, há mais de 25 anos.