Matéria publicada pelo Diário da Região em 2013. E assim já se passaram, 7 anos. E seguimos firme com a nossa paixão pelos pães!
A vida foi desafiadora para José Moneco. Mas isso é passado. Hoje, sua história entusiasma quem quer vencer na vida. Com 9 anos, ele se levantava todo dia às 4 horas da madrugada, para começar o expediente. Trabalhava como ajudante geral em uma padaria de Rio Preto. Aos 12, já era padeiro e chefiava uma equipe com oito rapazes. Fazia pão, biscoito e era disputado por diversos estabelecimentos. Hoje, aos 64 anos, é dono de uma fábrica de pães congelados e toma conta de 18 funcionários.
“Sempre gostei de mandar e era muito curioso. Para aprender, eu era atirado.” De família humilde, ele é o quinto dos nove filhos. O pai trabalhava em um curtume e a mãe lavava roupa para fora. Para ajudar na renda, ele e os irmãos tinham de arrumar emprego. José foi para uma padaria e fazia de tudo. “Limpava o chão, as assadeiras, ensacava biscoito e entregava pão.”
O salário todo ficava com os pais. “Não tinha dinheiro nem para uma paçoca.” A situação era tão complicada que ele ficou muito feliz quando conseguiu o primeiro par de sapatos. “Dormia com ele no pé, com medo de que não servisse mais no dia seguinte.”
Para chegar ao trabalho, ia caminhando com o pai. Atravessavam um pasto e José tinha de se controlar para não cochilar durante o serviço. Aos 16 anos, foi contratado por outra padaria, ganhando mais. E aí começa uma sucessão de idas e vindas por padarias de Rio Preto. Bom profissional, José estava sempre recebendo propostas melhores de emprego.
Depois de trabalhar por mais de 10 anos, cansou da profissão. Começara cedo e não teve tempo de estudar e conseguir se formar. Tomou a decisão de ir para São Paulo trabalhar como metalúrgico. Por lá, poderia estudar e tentar o sonho de ser engenheiro mecânico. Ficou pouquíssimo tempo na indústria, apenas até descobrirem que ele era padeiro, e dos bons.
“Padarias paulistanas ofereceram três vezes o meu salário para que trabalhasse por lá.” Voltou à profissão e logo também retornou a Rio Preto, quando recebeu boa proposta salarial. Sempre valorizado, José passou por algumas padarias, até que decidiu abrir o próprio negócio. Tinha chegado a hora de ser patrão.
Os funcionários se dividem na produção de pão francês, pão de queijo, baguetes e outros.
A decisão foi logo em seguida ao casamento com Rosa Rodrigues Moneco, hoje com 57 anos. Eles se conheceram em uma igreja evangélica e se casaram depois de um ano de namoro. Venderam uma casa, usaram todas as economias e foram para Magda, onde abriram padaria. O negócio não deu certo. Perderam tudo. E nessa mesma época, a maior dor do casal não foi a falência. Rosa estava grávida de gêmeos e, por complicações na gestação, perdeu os bebês.Mas desistir nunca passou pela cabeça do casal. O patrão havia deixado as portas abertas e ele voltou a trabalhar em Rio Preto. De lá, partiu para Neves Paulista, Pereira Barreto, Ilha Solteira e voltou a Rio Preto. Dessa vez, já tinham três filhos – Ricardo, Rogério e Kelly -, mas a situação ainda não era das melhores.“Com três crianças, todo o meu salário ficava na farmácia. Não passamos fome por sorte.” Para ajudar, a mulher fazia roscas e doces para vender e o filho mais velho, Ricardo, aos sete anos, colhia frutas, como banana e maracujá, e vendia um dia antes da feira em bairros de Rio Preto.Com a situação estabilizada, outras oportunidades foram surgindo.A principal delas foi em Mirassol. Com medo, devido à primeira tentativa frustrada, arrendaram uma padaria. “Tinha como meta me tornar patrão até completar 40 anos. Quando consegui, tinha 39 e, na semana seguinte à abertura da padaria, fiz aniversário.” Dormindo duas horas por noiteNessa nova tentativa, venderam o carro e um terreno para o investimento. José dormia duas horas por noite. Abriam às 5h30 e fechavam às 21 horas. Para economizar, não tinham funcionários. O casal e os três filhos cuidavam de tudo. As crianças iam para a escola ao meio-dia e, ao final das aulas, voltavam à padaria para ajudar novamente.Com muito esforço, compraram o ponto. Ficaram por oito anos, até que surgiu a ideia do negócio de pães congelados. Fazia e vendia para supermercados, lojas de conveniência e outros estabelecimentos. Quando viram que o negócio tinha futuro, decidiram abrir uma fábrica. A padaria ficou com a filha. Ele e Rosa foram para Bálsamo, onde abriram a Moneco Pães e Congelados.A empresa já tem dez anos. Hoje vendem pão de alho e produtos congelados como pão francês, pão de leite, rosca doce, pão de queijo, baguete. As vendas são para todo o Estado. O filho mais velho, Ricardo, até hoje trabalha na fábrica. Rogério é fiscal do Estado de Mato Grosso do Sul. Os dois se formaram em administração de empresas. Kelly é advogada. Os três já deram seis netos ao casal.
Fonte: Diário da Região. 23/03/2013.