25/08/2024
COMO GERAR EMPREGOS EM BELA VISTA DE GOIÁS
De quatro em quatro anos reassente a discussão sobre a geração de emprego em Bela Vista e praticamente todos os candidatos a prefeito têm a formula para gerar emprego: trazer indústria para o município.
Essa é a forma tradicional e antiga de gerar emprego e renda para as pessoas que estão desempregadas.
Só que tudo mudou. Exatamente: tudo mudou. Até o clima mudou. Agora a realidade é de aquecimento global.
Trazer indústrias e empresas para bela vista não é fácil e várias gerações de prefeitos estão tentando e, de década em década, uma ou outra empresa se instala aqui e gera uma quantidade insuficiente de empregos.
Para realmente gerar empregos é preciso entender melhor o município de Bela Vista; conhecer sua realidade; saber o contexto geopolítico do município e estar antenado nas potencialidades locais. ¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
As possibilidades para a geração de empregos são enormes. Mas vou me concentrar em apenas duas possibilidades.
Uma é aproveitar a tendência mundial e investir na consciência ambiental via a cadeia produtiva da Reciclagem. E a outra é aproveitar uma de nossas vocações e investir na produção de alimentos saudáveis via agricultura familiar.
RECICLGEM
Abrir novas vagas de emprego na reciclagem é uma das formas mais baratas que existe. O investimento é pequeno e o resultado vem a curto prazo. Bela Vista tem amplas possibilidades de ofertar emprego com a reciclagem. A cidade já realiza a Coleta Seletiva e tem estrutura para receber toneladas de material sólido reciclável e transformar tudo em renda e dignidade para dezenas de famílias.
Os benefícios do investimento na reciclagem são inúmeros, além de abrir vagas de emprego. A ampliação da reciclagem gera renda e, ao mesmo tempo, economia para a gestão pública, haja vista que quanto mais se recicla, mais se aumenta a vida útil do aterro sanitário, que custa caro para implantar e manejar.
Mas o que a cidade precisa fazer para melhorar e ampliar a reciclagem? Ter consciência. Não existe política de reciclagem eficiente sem a participação da população, sem o engajamento da dona de casa, sem a separação dos resíduos sólidos recicláveis do lixo comum dentro das residências. É preciso impedir que tudo seja enviado para o aterro sanitário como lixo.
No Brasil a média de reciclagem dos resíduos sólidos produzidos diariamente é de 4% e, em Bela Vista, segundo estimativa da Cooperbela, é de menos de 1%. Praticamente tudo que se produz de resíduos sólidos recicláveis na cidade vai para o aterro sanitário para ser enterrado, uma perda mensal de muito dinheiro.
Mas como nossa cidade irá adquirir consciência de que reciclar é melhor do que enterrar nos resíduos recicláveis? Com a intensificação de campanhas educativas e estruturação e melhoria dos serviços de coleta seletiva e triagem.
Investir em Educação Ambiental e Educativa impacta diretamente na abertura de vagas de emprego na cooperativa de reciclagem. Por que quanto mais material de qualidade chegar no galpão para a triagem, mais trabalhadoras e trabalhadores serão necessários para a triagem e separação. E com isso a cidade ganha em todos os aspectos. É um ciclo virtuoso.
PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Por que Bela Vista pode e precisa investir na produção de alimentos saudáveis? Primeiro, faz parte da sua vocação histórica; segundo, sua localização é privilegiada; tem uma excelente infraestrutura logística (acesso aos grandes centros consumidores por meio de estrada duplicada); tendência da população em consumir alimentos com garantia de qualidade e origem e, por fim, tem farta mão-de-obra.
Todas essas qualidades só nos levam a uma agente produtivo: o agricultor familiar. A produção familiar em Bela Vista de Goiás, bem empreendida, poderá ser a maior mola propulsora da sua economia.
As propriedades rurais daqui são de pequenos e médios produtores rurais, as quais pertencem, ou pertenceram a uma vasta bacia leiteira. Se não empreendermos programas e projetos de produção familiar diversificada, essas propriedades serão usadas para a monocultura da soja, o que já está acontecendo em alguns casos. A soja não gera emprego e não distribui renda.
Essa rede de pequenas e médias propriedades rurais é um campo fértil para alavancar a produção familiar. O grande desafio é como fazer isso virar um grande negócio. Se deixar por conta exclusiva do mercado, não vira nada. É preciso da intervenção do estado (município, estado e União) para girar essa roda com capacitação, planejamento, estudo de mercado, assistência técnica, financiamento e tecnologia.
Essas as duas opções de empreendimento com grande capacidade de gerar emprego e renda em Bela Vista de Goiás. É tarefa árdua, porém com resultados extraordinários para o município e sua gente.
Rosimar Santa Clara – Presidente da Cooperbela (Cooperativa de Reciclagem de Bela Vista), membro do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável e ex-secretário de Meio Ambiente e de Agricultura de Bela Vista de Goiás