13/10/2022
Parabéns!!!! 🌳🌳🌳
Grande passo para o mercado😀👊
ESALQUEANAS REALIZAM A PRIMEIRA CPR-VERDE
ERC , Sintropica Capital Natural e Assobio Soluções Socioambientais anunciam primeiro registro de CPR-Verde para restauração de floresta nativa no Brasil.
A emissão, que beneficiou a Assobio Soluções Socioambientais, empresa fundada por Marina Andrade e Geysa Borini, Engenheiras Agrônomas formadas na ESALQ/USP, abre as portas para alavancar o financiamento privado de novas restaurações florestais via CPR-Verde
O agronegócio sustentável já pode comemorar o registro da primeira CPR-Verde com a finalidade de restaurar uma área de 2 hectares com floresta nativa no Brasil, que se deu em caráter piloto. A área em questão f**a na zona de transição entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica, no mini Pantanal paulista, e deve ter sua paisagem alterada no prazo de três anos pelo projeto fruto do financiamento da CPR-Verde, que prevê o plantio de mudas nativas em uma área de lavoura degradada.
Atuando em diversas regiões do Estado de São Paulo, onde já há um mercado regulado de restauração florestal, a Assobio Soluções Socioambientais responde por esse e outros projetos de restauração ecológica, trabalhando com fazendas em processo de adequação ao Código Florestal, concessionárias de rodovias e empresas com processos de licenciamento. A CERC, infraestrutura de mercado financeiro especializada em recebíveis, realizou o registro, em operação coordenada pela Sintropica Capital Natural, startup focada no pagamento por serviços ambientais.
“A CPR-Verde tem como objetivo impulsionar a restauração de grandes áreas degradadas e enxergamos como um meio para levantar capital para operarmos uma restauração ecológica em maior escala, diminuindo nossos custos de transação e ampliando as nossas operações. Em projetos de restauração, você tem a adicionalidade do sequestro de carbono pela vegetação, melhoria da condição hídrica do solo, redução da erosão. A fazenda se beneficia também porque ‘ganha uma regularização de graça’ e o executor passa a poder vender esse serviço adiantado. Isto é, a floresta começa a ser formada hoje e você já pode negociar o ativo que acaba financiando mais restaurações “conta Geysa Borini, CEO da Assobio.
A emissão acontece um ano depois da publicação do Decreto Federal nº 10.828, que regulamentou a CPR-Verde, e pode destravar novas operações de financiamento privado de projetos de restauração florestal. Até então, já tinham sido feitos pagamentos pela manutenção da “floresta em pé” no Brasil, mas não pela restauração florestal, o que demandou superar diferentes trâmites burocráticos.
Fernando Henrique de Sousa, CEO da startup, explica que a Sintropica tem investido em pesquisa e desenvolvimento de modelos de valoração de serviços ambientais e na implantação de um sistema de processamento de dados para esse fim. Essas informações f**am disponíveis no geoportal da Sintropica, criando a rastreabilidade dos dados.
O desenvolvimento tecnológico para viabilizar a operação contou com o suporte da CERC, que precisou adaptar sua estrutura de registros, tradicionalmente voltada para informações sobre sacas de grãos ou outros produtos agrícolas. Com a parceria entre a CERC e a Sintropica, o sistema da registradora passa a contemplar também itens como “restauração de floresta nativa”, “toneladas de carbono sequestrado” e “índice de atividade biológica do solo”.
Desde 2021, a CPR-Verde permite financiar também ações de cunho ambiental. “Com essa operação, mostramos que o agronegócio pode conciliar produção e meio ambiente de maneira lucrativa”, diz Sousa, da Sintropica.
No caso desta operação, o recurso correspondente já foi liberado à Assobio Soluções Socioambientais para conduzir o plantio das mudas nativas, graças ao financiamento do investidor Paulo Augusto Franzine, empresário do setor de concessionarias e construção civil, que depois poderá negociar a CPR-Verde com empresas que têm obrigações junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Oportunidades em vista
A partir deste primeiro case de sucesso, CERC e a Sintropica planejam novos passos em conjunto, prevendo empacotar a CPR-Verde em operações estruturadas, como CRAs (Certif**ados de Recebíveis do Agronegócio), Fiagros e tokens. Com expertise no gerenciamento das informações de ativos ambientais e a custódia de dados financeiros, a Sintropica visa ainda trabalhar em parceria com cooperativas, revendas e seguradoras para fazer análises no “atacado” e beneficiar um número maior de produtores e investidores.
Para avaliar e gerenciar riscos e oportunidades relacionados aos ativos ambientais, a startup utiliza como referência o framework global de sustentabilidade Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), que confere transparência às operações para os investidores.
O governo federal estima que a CPR-Verde possa girar R$ 30 bilhões até 2025, seja em operações que envolvem o pagamento pela floresta em pé, pela restauração, aumento da biodiversidade, preservação dos recursos hídricos, conservação do solo etc.