14/06/2022
Saúde mental
As lágrimas e o desabafo de James Hetfield, vocalista do Metallica, no palco da apresentação da banda em Minas Gerais, vêm na esteira de um assunto cada vez mais recorrente: a importância da saúde mental.
Hetfield, dirigindo-se à plateia, confessou que, naquela noite, estava se sentindo velho e inseguro em poder, ainda, dar conta do recado de ser o líder de uma das bandas de maior representatividade em atitude e musicalidade da cena do Heavy Metal das últimas décadas. Reconheceu que foi a sinergia entre a força da banda e da própria plateia que lhe deu condições para se apresentar. Ato contínuo, a banda tocou a clássica “Sad But True”.
Na última Olimpíada, em Tóquio, a favorita ao ouro na modalidade solo, a ginasta norte-americana Simone Biles desistiu de competir na final, alegando estar priorizando sua saúde mental. Caso semelhante aconteceu com o surfista brasileiro Gabriel Medina, atleta já campeão mundial, que se retirou temporariamente das competições pelo mesmo motivo.
Se artistas e atletas de altíssima performance estão trazendo à tona o assunto de o quanto a saúde mental impacta em suas vidas, considerando-se que tenham muito mais recursos à disposição do que a esmagadora maioria da população, o que sobrará ao resto do mundo? Qual tem sido o impacto em bilhões de vidas ao redor do globo em momento tão delicado da história, com doenças, guerras, fome e crises econômicas?
Faz-se urgente a discussão de políticas de saúde mental e de qualidade de vida em massa como instrumento de saúde pública. Se, por muito tempo, ser forte foi sinônimo de esconder sentimentos, o momento atual nos mostra que, bem pelo contrário, lágrimas sinceras em público podem significar um real gesto de coragem em nome da preservação da própria vida.