27/02/2026
Eu não assisto esse tipo de programa.
Não é por desinformação.
É por saúde mental.
É porque eu sei o que certas falas fazem com a alma de quem já sangrou em silêncio.
Quando uma mulher ocupa um espaço de visibilidade e usa esse palco para diminuir dores que são reais, profundas e devastadoras, isso deixa de ser opinião — vira violência simbólica.
Não é “frase polêmica”.
Não é “personalidade forte”.
É desrespeito com histórias que quase mataram mulheres por dentro.
Existem mulheres que não escolheram como seus filhos foram concebidos.
Existem mulheres que sobreviveram ao impensável.
Existem mulheres que todos os dias lutam contra a culpa que nunca deveria ter sido delas.
E então alguém transforma isso em deboche.
Isso não é entretenimento.
É dessensibilização coletiva.
O que mais me dói não é só a frase.
É a naturalização.
É a plateia rindo.
É a produção mantendo.
É a audiência consumindo.
Quando normalizamos discursos que ridicularizam traumas, estamos ensinando sobreviventes a se calarem de novo.
Eu escolho não assistir.
Eu escolho não compactuar.
Eu escolho preservar minha saúde mental e a dignidade de quem carrega cicatrizes invisíveis.
Nem tudo merece palco.
Nem toda polêmica é liberdade de expressão.
Algumas são apenas reflexo de uma sociedade que ainda não aprendeu a respeitar a dor feminina.