Thiago Aquino

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Thiago Aquino Fotografo autoral, incansável leitor do tema, sempre atras de evolução

O museu antes do hábitoNo Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, foi a vista lateral do casarão que me chamou a atenção. A ...
13/10/2026

O museu antes do hábito

No Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, foi a vista lateral do casarão que me chamou a atenção. A linha do telhado conduz o olhar à baía, enquanto arcos e varandas de ferro desenham formas sobre a fachada clara. Do outro lado, a Ilha de Maré; deste, Caboto. Entre arquitetura, céu e água, encontrei uma composição que me encantou.

No antigo Engenho Freguesia, o museu reúne referências da história do Recôncavo Baiano e da economia açucareira, sustentada pela escravização de pessoas negras. A beleza arquitetônica exige atenção às relações humanas que produziram essa riqueza.

Durante a visita, observei pessoas que pareciam descobrir pela primeira vez como se relacionar com um museu. Algumas comentavam o que encontravam; outras experimentavam modos de circular, observar e falar naquele ambiente. Esses códigos são aprendidos pela experiência, até que certas atitudes se tornam hábitos. Talvez a aproximação com a arte comece por tentativas e descobertas.

Não me lembro da primeira vez que entrei em um museu. Talvez minha família tenha aberto essas portas, sobretudo pela visão cultural que me ofereceu. Estudei em uma escola que valorizava essa formação. O CSP, construtivista, sempre foi visto como algo além da preparação para o vestibular. Ainda assim, gostaria de ter recebido uma base artística mais consistente, sem depender tanto de uma busca que mais tarde precisaria partir de mim.

Reconheço que até essa lacuna participou da minha formação. A inquietude que me levou a procurar o que sentia faltar também merece meu agradecimento.

A região recebe muitos visitantes interessados nas praias, e o museu pode acabar reduzido a uma referência no caminho ou a um lugar para estacionar. Imagino o que pode acontecer quando alguém decide entrar e encontra uma obra capaz de tocar seu coração. Uma primeira visita talvez inaugure uma relação duradoura com a arte. Certas descobertas começam discretamente e passam a fazer parte de quem somos.

A arte é como o amor: capaz de tocar nosso coração em um dia ordinário.

Thiago Aquino
t.a., 2026

A posologia da foto com afetoO roteiro dita o equipamento. O olhar é conduzido pelo repertório de vivências acumuladas a...
13/10/2026

A posologia da foto com afeto

O roteiro dita o equipamento. O olhar é conduzido pelo repertório de vivências acumuladas ao longo de toda uma vida.

Assim me preparava, no estúdio, para fotografar a exposição Abelha Rainha, que estará em cartaz em Portugal.

No camarim, organizo o planejamento, ajusto as objetivas e os demais equipamentos e preparo a cabeça. Acima de tudo, procuro encaixar meu olhar naquilo que é indispensável. Um exercício complexo, em curso desde a noite anterior, como um autobenzimento.

Eu não quero uma vida para impressionar os outros. Exercito um caminhar do qual eu tenha orgulho quando ninguém estiver olhando.

Talvez seja isso que procuro em cada fotografia: nenhuma resposta definitiva, todavia uma maneira própria de interrogar o mundo.

Nossa Senhora AparecidaEncontrada fragmentada nas águas do Paraíba do Sul, a pequena escultura de terracota atravessou s...
12/10/2026

Nossa Senhora Aparecida

Encontrada fragmentada nas águas do Paraíba do Sul, a pequena escultura de terracota atravessou séculos e passou a integrar o imaginário brasileiro. Sua tonalidade escura tornou-se inseparável de sua representação e abre uma reflexão sobre negritude, memória e as imagens por meio das quais uma sociedade constrói suas referências. A devoção que se formou em torno dela também revela como um objeto pode concentrar experiências individuais e coletivas, sem que todas as pessoas lhe atribuam os mesmos sentidos.

Não gosto de estratificações, de colocar as coisas em prateleiras como se cada experiência precisasse ocupar um lugar predeterminado. Cada pessoa escolhe suas referências, aquilo que lhe faz bem. Diferentemente da religião, tive épocas de grandes questionamentos à minha fé, coincidentes com as partes mais duras, pesadas e difíceis da minha vida. Não digo que a fé resolve, cura ou tenha de ser assim vista. Quem quiser pode, eu também vejo, mas a fé é o pórtico da esperança, da luta, dos ajustes íntimos, da melhoria, da evolução, mas sobretudo da empatia.

É na empatia que essa reflexão se aprofunda: reconhecer que a dor alheia merece consideração mesmo quando não se parece com a nossa; compreender que nossas convicções não nos dão autoridade sobre a vida dos outros; respeitar quem pensa e escolhe caminhos diferentes. Não fazer ou tratar o outro como não gostaríamos de ser tratados parece um princípio simples, mas sua prática exige atenção, responsabilidade e disposição para rever a própria conduta. A transformação íntima só ganha sentido pleno quando alcança a maneira como tratamos as pessoas.

Neste dia de Nossa Senhora Aparecida, penso na esperança que sustenta a luta, na possibilidade de mudança e na empatia como compromisso cotidiano. Não é necessário compartilhar as mesmas referências para respeitar a experiência alheia. Para mim, o valor está em continuar, evoluir e reconhecer a humanidade do outro sem exigir que ele seja igual a nós.

Thiago Aquino
t.a., 2026

Making of | Captação de imagemExposição Abelha Rainha, Portugal, novembro de 2026A produção desta fotografia, destinada ...
10/10/2026

Making of | Captação de imagem
Exposição Abelha Rainha, Portugal, novembro de 2026

A produção desta fotografia, destinada à Exposição Abelha Rainha, em Portugal, nasceu de um roteiro que concebi para materializar minha participação na mostra. O convite do curador Mário Edson, recebido por intermédio de Suy, trouxe a oportunidade de apresentar meu trabalho ao lado de outros artistas no Velho Mundo.

Convidei Suy para compartilhar a Direção de Arte e Mocotó para realizar a iluminação cênica prevista para o projeto. O planejamento exigiu investimentos significativos em equipamentos e na produção fotográfica, mas a estrutura material não bastaria sem a participação de pessoas dispostas a compreender a proposta e contribuir para sua realização.

Ao conversarmos sobre o processo, Suy comentou o quanto vinha aprendendo com a minha maneira de estruturar projetos, elaborar roteiros e antecipar no papel as decisões necessárias à realização das imagens. Não sei se essa percepção traduz inteiramente o que acontece. Tenho a impressão de que aprendo ainda mais com ela, sobretudo quando as ideias deixam de ser exclusivamente minhas e passam a incorporar o olhar de quem participa da sua construção.

A escultura criada por meu amigo-irmão Wesley Souza foi decisiva para a produção. Sua genialidade facilitou a execução e contribuiu para materializar a concepção visual do projeto.

Estes registros de celular preservam fragmentos do trabalho realizado no estúdio. A captação terminou, mas a fotografia continua em elaboração, agora na seleção e edição do material que seguirá para Portugal. Quero que o resultado final reconheça a contribuição de cada pessoa envolvida.

Mário Edson, obrigado pelo convite e pela confiança no meu trabalho. Suy e Mocotó, obrigado por aceitarem meu convite, compartilharem seus conhecimentos e participarem ativamente desta realização. Wesley, obrigado pela criação da escultura e pela contribuição decisiva ao projeto. O resultado alcançado não existiria da mesma maneira sem vocês.

Agora vamos à edição, parte que trabalho mais ligado a minha solitude.

Thiago Aquino
t.a., 2026

Sony FE 28–70mm F2 GMÉ mais uma vitória. Isso não me faz melhor nem pior que ninguém. Tenho boas oportunidades na vida, ...
08/10/2026

Sony FE 28–70mm F2 GM

É mais uma vitória. Isso não me faz melhor nem pior que ninguém. Tenho boas oportunidades na vida, mas também muita dedicação ao trabalho. Não descanso um dia sequer.

Sentia falta desta objetiva no meu equipamento. Gosto da compressão das teleobjetivas, mas, por vezes, a grande angular faz falta.

A 28–70mm F2 GM oferece uma combinação extraordinária: abertura constante F2, projeto óptico moderno e um desfoque que a consagrada 24–70mm F2.8 GM II não reproduz nas mesmas condições. Mais que captar luz, permite controlar a profundidade de campo, separar planos e explorar outras relações entre luz e espaço.

Relativamente leve, surpreendeu-me pelo porte. Ao lado da 70–200mm F2.8 GM II e até da monstruosa 200–600mm G, parece maior do que imaginava. Não passa despercebida: tem presença, chega chegando. Seus elementos ópticos avançados e quatro motores lineares de foco revelam a ambição deste projeto.

Quero descobrir o que acrescentará à minha fotografia: amanhã, no estúdio, com as fotografias de Portugal, e, na próxima semana, na expedição a Xique-Xique.

Meu agradecimento à Raitai, que considero a melhor loja do Brasil para quem fotografa com Sony. Ednaldo, seu proprietário, mesmo em viagem, mobilizou toda a equipe para que a objetiva chegasse de Brasília a Salvador em menos de 24 horas. A equipe acompanhou a entrega e confirmou sua chegada. Essa atenção demonstra uma parceria construída com confiança e respeito pelo meu trabalho.

A Raitai trabalha com todas as grandes marcas da fotografia, oferecendo equipamentos novos, modernos e lacrados. No universo Sony, sua oferta e seu atendimento são impossíveis de igualar no Brasil. A objetiva chegou com 36 meses de garantia nacional.

Ednaldo, muito obrigado por tudo o que você faz por mim. A objetiva é um espetáculo.

Thiago Aquino
t.a., 2026

(Quer conhecer essa fotografia além do Instagram? Leia o texto completo no site, veja as imagens em maior escala e descubra outras fotografias e experiências do meu trabalho. Acesse pelo link da bio.)

Magrela em reflexoHá imagens que começam exatamente quando deixam de obedecer àquilo que lhes deu origem.O reflexo não r...
08/10/2026

Magrela em reflexo

Há imagens que começam exatamente quando deixam de obedecer àquilo que lhes deu origem.

O reflexo não repete. Ele desloca. Retira a forma do domínio da certeza e devolve ao visível uma condição que a semelhança, sozinha, jamais alcança. O que retorna já não pertence inteiramente ao objeto nem à sua imagem. Existe entre ambos uma espécie de parentesco sem identidade, uma proximidade capaz de produzir estranhamento.

Talvez toda imagem carregue essa fratura. Reconhecemos porque alguma coisa coincide; duvidamos porque essa coincidência nunca é completa. A fotografia trabalha nessa contradição sem precisar resolvê-la. Seu poder não está em confirmar o mundo, mas em submetê-lo a uma transformação silenciosa, capaz de fazer aquilo que conhecemos adquirir outra espessura.

O reflexo radicaliza essa condição. Ele não cria uma segunda coisa. Faz a primeira perder a exclusividade sobre aquilo que significa. A forma deixa de ser uma evidência e passa a disputar consigo mesma. Já não sabemos se vemos o objeto através da imagem ou a imagem através do objeto. A ordem se desfaz sem que nada precise desaparecer.

É nessa duplicidade que a fotografia se torna menos testemunho e mais acontecimento. A imagem não conserva simplesmente aquilo que esteve diante da câmera. Ela modifica a relação entre reconhecimento e estranhamento, entre aquilo que o mundo oferece e aquilo que o olhar consegue produzir a partir dele.

Toda semelhança guarda uma diferença capaz de corroê-la por dentro.

Talvez seja esse o fascínio do reflexo: não oferecer outra realidade, mas revelar que a realidade nunca foi tão indivisível quanto imaginávamos.

Thiago Aquino
t.a., 2026

Quando a fotografia escolhe alguémHá quem goste de fotografia e há quem seja escolhido por ela. A distinção surge depois...
05/10/2026

Quando a fotografia escolhe alguém

Há quem goste de fotografia e há quem seja escolhido por ela. A distinção surge depois que a novidade perde o brilho. Para alguns, fotografar será passageiro. Para outros, algo mais profundo se instala: a fotografia reorganiza a atenção, a percepção e a relação com o cotidiano. Não é um passatempo quando começa a reorganizar aquilo que julgávamos saber sobre nós mesmos.

Conheço pessoas que fotografam apaixonadamente sem cogitar transformar isso em profissão. Exercem outras atividades e dedicam horas livres à fotografia. Já vi relações estremecerem porque alguém desaparecia por horas fotografando. Para quem foi tocado, horas de procura podem parecer naturais.

A fotografia possui uma particularidade de origem. Sua constituição dependeu da convergência entre óptica, formação de imagens e processos químicos capazes de fixar a luz. Antes da linguagem artística, foi necessário criar condições técnicas para registrar imagens. Ela nasce dessa aliança entre ciência, tecnologia e criação.

Depois vem o paradoxo econômico. Câmeras, objetivas, filtros, iluminação, armazenamento, computadores e impressão podem transformar a paixão em investimento. Há objetivas que custam o valor de carros de luxo. Nada disso compra um olhar. O equipamento amplia possibilidades; não oferece discernimento.

Talento pode facilitar o início, mas não sustenta uma trajetória. A fotografia desmente a crença de que bastam sorte, inspiração ou acontecimentos fortuitos. É preciso estudar, olhar, comparar, fracassar, editar, abandonar imagens e voltar à procura. O acaso pode oferecer uma fotografia extraordinária. Não oferece uma linguagem.

Tenho a impressão de que não somos nós que escolhemos a fotografia primeiro. Ela escolhe quem consegue tocar. Depois vem a decisão de alimentar essa descoberta.

Ser alcançado pela fotografia em qualquer idade pode ser felicidade. Basta que o modo de olhar se desloque e o mundo nunca mais pareça igual.

Eu não procurei a fotografia. Em algum momento, ela me encontrou. Depois, coube a mim decidir ficar.

Thiago Aquino
t.a., 2026

Spyro Gyro (ou Spirogyra)O brilho sobre a Baía de Todos-os-Santos me fez interromper o caminho de volta para casa. Eu ha...
04/10/2026

Spyro Gyro (ou Spirogyra)

O brilho sobre a Baía de Todos-os-Santos me fez interromper o caminho de volta para casa. Eu havia olhado à direita, atraído por uma luminosidade incomum na superfície da água, antes de parar o carro na Avenida Suburbana, no trecho das obras do VLT.

Sem acostamento, subi o passeio e fiz a fotografia dali. A paisagem que tantas vezes atravessamos sem demora impôs, por alguns instantes, outra relação com o tempo e com o lugar.

Jorge Ben tocava no Spotify. Era Spyro Gyro (ou Spirogyra), música de um artista que admiro, especialmente pelo álbum duplo gravado para a MTV. O título remete a uma alga de água doce. A proximidade entre essa referência e o brilho que eu observava despertou uma pergunta: haveria alguma relação entre os dois?

Não conhecia a origem daquela luminosidade. A música, entretanto, deixou de ser apenas trilha do percurso e passou a participar daquilo que eu via. Uma associação improvável se formava sem que fosse necessário encontrar uma resposta.

Há uma contradição que me interessa nesta fotografia. Tenho aversão aos fios elétricos, mas gostei de sua presença no enquadramento. Eles atravessam a paisagem e inscrevem a cidade no campo de visão, sem anular a atração exercida pela baía. Não precisei corrigir a cena para que ela correspondesse às minhas preferências.

O que me deteve foi justamente aquela configuração, com suas interferências e sua luminosidade inesperada.

Uma rolinha também estava ali. Tive a impressão de que me esperava. .

Depois de um dia mágico, aquele encontro me pareceu exceder a casualidade. Interpretei-o como uma mensagem dos céus. Não acredito em coincidências.

Talvez a fotografia tenha surgido desse reconhecimento: há instantes cuja importância não depende de uma explicação, mas da maneira como nos alcançam.

A luz continua sem origem conhecida; o que permanece é a certeza íntima de ter sido chamado a parar, olhar e guardar aquele momento.

Thiago Aquino
t.a., 2026

Ganhei uma fotógrafa exclusiva( 📸 Imagem de Suy Andrade )Tenho certeza de que nenhum  outro fotógrafo profissional fez m...
03/10/2026

Ganhei uma fotógrafa exclusiva

( 📸 Imagem de Suy Andrade )

Tenho certeza de que nenhum outro fotógrafo profissional fez mais imagens minhas do que Suy. Quando saímos para fotografar, entro em uma espécie de transe, um estado de concentração difícil de explicar. Perco a percepção do que acontece ao redor. É como se estivesse sozinho em outro planeta, com minha câmera e as imagens que quero construir.

O curioso é que, além de conversar e ficar amiga de todos que a rodeiam, Suy consegue fazer as próprias fotografias. Sempre volta com imagens surpreendentes, embora eu não entenda por que não divulga tudo o que produz. E, como se não bastasse, ainda encontra tempo para me fotografar com um olhar tão particular que revela posições, gestos e expressões minhas que eu mesmo desconhecia.

Uma artista nata, de olhar singular e ritmo próprio. Não fotografa tudo o que passa diante de seus olhos. Escolhe. E chega em um momento que já guarda o equipamento, quando diz: - “Chega, já fiz tudo”. E há uma eficiência brutal nessa escolha. Sabe exatamente onde colocar a câmera, reduz a margem de erro e amplia as possibilidades de transformar um instante em uma imagem que realmente importa. Coisas que só um olhar treinado e sensível consegue fazer.

Obrigado por tudo, Suy. Não sei se você já se tornou minha fotógrafa exclusiva. Confesso que isso me preocupa um pouco. Ainda não sei a que horas chega o boleto.

Adorei a sombra desta sua fotografia. Só não sei a que horas você a fez, porque, sinceramente, nem sabia onde você estava.
Acabo de ver, somente agora, esta cena. Adorei!

Exposição Recôncavo: um mundo de muitos mundos e mistériosDe 01/10 a 26/10/2026Shopping Paseo Itaigara*Acima foto física...
02/10/2026

Exposição Recôncavo: um mundo de muitos mundos e mistérios
De 01/10 a 26/10/2026
Shopping Paseo Itaigara

*Acima foto física da exposição, no local imagens de outros 24 fotógrafos*

(FOTOGRAFIAS INÉDITAS DO MEU ACERVO PESSOAL SOBRE A TEMÁTICA DESTA EXPOSIÇÃO, DISPONÍVEIS NO MEU SITE, NA COLEÇÃO DA PÁGINA DA PRÓPRIA EXPOSIÇÃO RECÔNCAVO: UM MUNDO DE MUITOS MUNDOS E MISTÉRIOS.)

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A cor que não explica nada

A cor da pele constitui uma diferença superficial do corpo humano. Não determina inteligência, caráter ou dignidade. Ainda assim, foi transformada em critério de classificação, justificativa para a violência e instrumento de dominação.

Em Acupe, o Nego Fugido mantém essa construção histórica sob exame.

A abolição encerrou juridicamente a escravidão, mas não eliminou as estruturas de pensamento que associaram aparência, valor e posição social.

Uma característica incapaz de definir o valor de uma vida tornou-se fundamento de um sistema de exploração humana. Não havia hierarquia natural. Ela foi construída, legitimada e preservada por interesses e instituições.

O que permanece em questão não é a diferença entre as peles, mas o poder que uma sociedade atribuiu a ela. A cor nunca explicou nada. Foi a construção histórica erguida sobre essa diferença que alcançou proporções imensas.

Thiago Aquino
t.a., 2026

(Quer conhecer esta fotografia além do Instagram? Leia o texto completo no site, veja as imagens em maior escala e descubra outras fotografias e experiências do meu trabalho. Acesse pelo link da bio.)

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Exposição Recôncavo: um mundo de muitos mundos e mistérios

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Saia sagrada

No Nego Fugido de Acupe, a saia de folhas secas de bananeira carrega sentidos que ultrapassam sua função de vestimenta. Segundo relatos registrados por pesquisadores, suas folhas estão associadas aos mortos da escravidão, a Egum e às forças ancestrais. Há também referências ao ruído produzido pelo movimento da saia, capaz de espantar entidades, e ao uso das folhas como camuflagem.

A tradição local conta que escravizados mortos teriam sido enterrados sob bananeiras e que, ao cortar essas pla

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Maragogipinho, BA
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