16/08/2026
Pois aí percebe-se que o planeta está sempre trabalhando.
POR QUE OCORREM AS GLACIAÇÕES?
Há cerca de 20 mil anos, a Terra estava no auge da última grande “Era do Gelo”. Enormes mantos de gelo cobriam extensas áreas da América do Norte e da Europa, e o nível do mar estava cerca de 120 metros abaixo do atual.
Esse momento é chamado de Último Máximo Glacial.
Desde então, o planeta aqueceu e hoje vivemos em um período mais quente, chamado interglacial.
Mas essa não foi a única vez que isso aconteceu.
Nos últimos 2,6 milhões de anos, período geológico chamado Quaternário, a Terra alternou repetidamente entre longos períodos glaciais e períodos interglaciais mais quentes, como o atual.
Mas por que essas grandes oscilações do clima acontecem?
🌍 O principal gatilho está na órbita da Terra.
A órbita e a orientação do nosso planeta mudam lentamente ao longo de milhares de anos. Essas variações, conhecidas como ciclos de Milankovitch, modificam principalmente onde e em que época do ano a energia solar chega à superfície da Terra.
São três movimentos principais:
🔹 Excentricidade – altera a forma da órbita terrestre, tornando-a mais ou menos elíptica. Ciclos importantes ocorrem em torno de 100 mil anos.
🔹 Obliquidade – varia a inclinação do eixo da Terra, aproximadamente entre 22,1° e 24,5°. Seu ciclo dura cerca de 41 mil anos e influencia a intensidade das estações.
🔹 Precessão – é uma lenta mudança na orientação do eixo terrestre, semelhante ao movimento de um pião. Seus principais ciclos ocorrem aproximadamente a cada 19–23 mil anos.
☀️ Quando a combinação desses ciclos produz verões mais frios nas altas latitudes do Hemisfério Norte, parte da neve acumulada durante o inverno deixa de derreter completamente.
Ano após ano, o gelo pode se acumular e os grandes mantos de gelo começam a se expandir.
Mas isso é apenas o começo.
❄️ O sistema climático amplifica a mudança.
À medida que aumenta a superfície coberta por neve e gelo, mais radiação solar é refletida de volta para o espaço. Com isso, a superfície terrestre absorve menos energia, esfria ainda mais e favorece a expansão das geleiras.
Esse efeito é chamado de albedo: superfícies claras, como neve e gelo, refletem muito mais luz solar do que superfícies escuras, como oceanos e solos.
Ao mesmo tempo, mudanças nos oceanos e na biosfera reduzem as concentrações atmosféricas de CO₂ e CH₄, diminuindo o efeito estufa e reforçando o resfriamento.
🌊 Mudanças na circulação oceânica também redistribuem calor pelo planeta e alteram a troca de CO₂ entre os oceanos e a atmosfera.
Forma-se, portanto, uma cadeia de retroalimentações:
mudança orbital → verões mais frios → mais gelo → maior reflexão da radiação solar → menos CO₂ e CH₄ → maior resfriamento → expansão dos mantos de gelo.
Quando a configuração orbital muda novamente, o processo pode se inverter:
mais radiação solar no verão → derretimento do gelo → menor reflexão da radiação solar → aumento dos gases de efeito estufa → aquecimento → retração dos mantos de gelo.
🌎 Portanto, os ciclos orbitais funcionam como o principal gatilho das glaciações do Quaternário, mas são os feedbacks do sistema climático que transformam pequenas mudanças na distribuição da radiação solar em grandes alterações no clima global.
REFERÊNCIAS
• Jouzel, J. et al. 2007. Orbital and millennial Antarctic climate variability over the past 800,000 years. Science 317: 793–796.
• Lisiecki, L. E. & Raymo, M. E. 2005. A Pliocene-Pleistocene stack of 57 globally distributed benthic δ¹⁸O records. Paleoceanography 20: PA1003.
• IPCC. 2013. Climate Change 2013: The Physical Science Basis. Chapter 5 – Information from Paleoclimate Archives.
• IPCC. 2021. Climate Change 2021: The Physical Science Basis.
• NASA. Milankovitch (Orbital) Cycles and Their Role in Earth’s Climate.