03/03/2026
Zeide fez aniversário numa sala de aula, a 12 horas de casa, cercada de queijeiros. Cortou o bolo entre uma aula de tecnologia láctica e outra de massa prensada.
Na volta, 12 horas de estrada. O assunto? Como melhorar cada queijo nosso e quais novos podemos criar com o que aprendemos.
Presente de aniversário? Conhecimento. Do melhor professor do mundo.
Maxence ensina há 16 anos numa das melhores escolas públicas da França. É o professor escolhido pelo governo francês para representar a excelência queijeira francesa em projetos internacionais de educação e assistência técnica. Ele é, simplesmente, o melhor
E ele é meu amigo.
Quando voltei da França em 2016, depois de 18 meses aprendendo a arte queijeira nos pastos e queijarias francesas, trouxe comigo uma base técnica que poucos produtores no Brasil tiveram acesso. Cada curso com Maxence aprofunda essa base — e cada aprendizado vira queijo melhor para você.
Mas eu poderia guardar tudo isso para mim.
Não é assim que penso.
O projeto de parceria com a França nasceu de uma teimosia minha. Em 2018 apresentei a ideia ao governo francês em Brasília. Em 2019, levei à Secretaria de Agricultura de SP. De lá para cá? Muita reunião, muito "ainda não", muita persistência. O curso em Presidente Prudente — numa ETEC que será um dos 10 Centros de Referência Queijeira do estado — é o resultado visível de anos de trabalho invisível. Os alunos serão replicadores desse conhecimento por todo o estado. Em breve, chega aos produtores.
Além de aluno, fui o tradutor do curso. Os alunos disseram que foi a melhor tradução que já tiveram. Só traduz bem quem entende o que está sendo dito. E eu entendo.
A Zeide estava lá comigo. Aprendendo, praticando, absorvendo. Ela comanda nossa produção — e voltou com o olhar ainda mais afiado.
Como eu disse para os alunos: "Não demos um peixe. Ensinamos a pescar."
Cada queijo nosso que chega à sua mesa carrega isso: técnica francesa apurada, vivência real, e a teimosia de fazer diferente.
E agora, com ainda mais conhecimento.