02/09/2026
Setembro do ano passado foi um dos meses mais difíceis e doloridos da minha vida.
Era primavera, mas dentro de mim parecia que nada florescia.
Foi um tempo de recolhimento. Um tempo em que eu precisei aprender a viver com dores que não tinham nome, com saudades que ainda nem sabiam onde morar. Foi o tempo em que minha Maria Victória foi seguir a vida dela, levando consigo os sonhos de construir sua família… e também a dor das três sementes que não puderam florescer em nossos braços.
Eu fiquei.
Fiquei tentando entender os silêncios de Deus, os caminhos da vida e essa sensação de que, naquele setembro, a primavera tinha esquecido de passar por mim.
Mas hoje eu sei.
Enquanto eu achava que tudo estava parado, enquanto eu acreditava que a vida apenas me recolhia, uma semente já estava sendo cuidada debaixo da terra.
E ela germinou.
Em agosto deste ano, José Antônio nasceu.
E, com ele, nasceu também uma nova primavera dentro de mim.
Passei esse tempo na casa da minha Maria Victória, em Sorriso, vivendo de perto cada espera, cada medo, cada esperança e, finalmente, a chegada do nosso menino.
Agora eu volto para casa.
Mas não volto como parti.
No setembro passado, minha filha foi para a vida dela e eu precisei aprender a ficar.
Neste setembro, eu volto para a minha vida com a semente germinada nos braços da nossa história.
Porque, às vezes, quando pensamos que fomos enterrados pela dor, a vida está apenas nos plantando.
E então chega um novo setembro.
E tudo aquilo que parecia perdido floresce. 🌼