05/04/2025
Freud nos ensina que a chegada de um filho não é apenas um evento biológico - é também um terremoto psíquico. Tornar-se pai ou mãe significa revisitar a própria infância, reviver os afetos que nos formaram e, muitas vezes, enfrentar medos que estavam adormecidos. O bebê chega não apenas como um ser novo, mas como um espelho do nosso próprio passado.
Para Lacan, um filho não é só um ser real, mas um significante carregado de projeções. Ele representa o que gostaríamos de ser, o que tememos repetir, o que desejamos corrigir.
A idealização do bebê é inevitável: sonhamos com uma criança perfeita, protegida da dor, imune às nossas falhas. Mas a psicanálise nos lembra que ele não vem para preencher um vazio ou para salvar ninguém. Um filho não é um recomeço absoluto - ele herda não apenas nosso amor, mas também nossas faltas.
Virar pai e mãe é aceitar esse paradoxo.
É abrir os braços não apenas para um bebê idealizado, mas para um ser irreal, que será diferente do que imaginamos.
Amar, então, não é projetar sobre ele nossas esperanças, mas permitir que ele seja quem precisar ser.
No fundo, o nascimento de um filho é verdadeiramente o nascimento de um pai, de uma mãe - e de um amor que não será um peso, mas um espaço aberto, onde a criança possa crescer sem precisar ser tudo o que sonhamos.
Feliz Dia do Filho meus amores!
A vida com vocês é uma delícia de se viver, obrigada por me permitir viver essa felicidade. ❤️