11/06/2026
Os fundamentos de oferta e demanda, tal como safra recorde, recomposição de estoques, maior exportação, tendem a prevalecer sobre os fatores de suporte de curto prazo (estoques baixos, atraso da colheita, El Niño). O mercado já sinalizou essa direção com clareza. Esperar uma reversão expressiva das cotações, sem um evento climático severo que mude estruturalmente o cenário produtivo, é uma aposta de alto risco. O cenário é claramente baixista no médio prazo, com o peso da safra recorde brasileira ainda sendo absorvido pelo mercado ao longo dos próximos meses. Neste contexto, o produtor que ainda retém café da safra 2025 enfrenta uma janela estreita. Com a colheita avançando e mais café novo chegando ao mercado nas próximas semanas, a tendência é de compressão adicional dos prêmios. Vender o remanescente da safra 2025 agora, aproveitando os diferenciais ainda relativamente firmes do disponível, pode ser a decisão mais prudente. Já para os cafés da safra 2026, a estratégia comercial deve focar em eliminar possibilidade de prejuízos. Mas como? Comercializando uma parte dos primeiros lotes que produzirem para aproveitar o prêmio atual do disponível e travando uma parcela da produção a termo, pois, embora os preços futuros sejam inferiores aos atuais, seguem assegurando uma rentabilidade, que pode chegar à ordem de 50% a 100% a depender do custo, o que justifica a proteção. A ideia é que venda parcial dos primeiros lotes somada à trava para o segundo semestre garanta minimamente o break-even (ponto de equilíbrio) da operação, ou seja, o pagamento dos custos de produção, pois assim o produtor se protege de qualquer possibilidade de prejuízos que possa existir. Além disso, como no mercado de café, nada é impossível, é sugestivo que uma parcela seja retida estrategicamente para capturar eventuais janelas de alta geradas por fatores externos como câmbio, geopolítica ou, até mesmo, uma adversidade climática (torçamos para que não).
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