23/04/2025
Netuno: o planeta da solidão azul
Netuno é o oitavo planeta do sistema solar. Frio, distante, com ventos que ultrapassam os 2 mil km por hora. É um gigante gasoso, de coloração azul profunda, cercado por anéis tênues e luas silenciosas. Foi visitado apenas uma vez — pela sonda Voyager 2, em 1989 — e desde então, orbita solitário nas bordas do nosso sistema, quase como se estivesse à parte de tudo.
Ele é estranho. Enigmático. Belo de um jeito que assusta um pouco.
Às vezes eu acho que sou parecida com Netuno.
Não pela distância física, claro, mas pelo jeito de ser.
Sou autista — e há dias em que viver no mundo parece exatamente isso: estar girando num lugar bonito, mas que nem sempre é acessado pelos outros.
Não é ausência. É outra frequência.
Netuno me fascina porque ele não precisa provar nada. Ele apenas é. Ele gira devagar, guarda tempestades internas e segue no seu caminho, sem alarde. Como se dissesse: “me conheça se puder, me alcance se conseguir”.
E mesmo assim, continua ali — constante, azul, imenso.
Talvez a solidão não seja algo ruim. Talvez seja só o nome que dão para aquilo que é profundo demais para ser traduzido com pressa.
Netuno me lembra que o silêncio também é uma forma de existência.
E que o cosmos tem espaço até para os que dançam em ritmos diferentes.
Ivânia Lucia 🔭 🌌 ❤️