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Desarrolhar DESARROLHAR ®: tirar a rolha a; destapar; abrir

Devia ser proibida a venda deste vinho.Não por ser raro. Não por ser caro. Não por ser demasiado bom.Devia ser proibida ...
07/06/2026

Devia ser proibida a venda deste vinho.

Não por ser raro. Não por ser caro. Não por ser demasiado bom.

Devia ser proibida porque, num universo de 12 garrafas, apenas uma se mostrou digna desse nome. As restantes foram uma sucessão de desilusões engarrafadas. A de hoje cumpriu o mesmo destino das outras dez: a pia da cozinha.

Há defeitos que acontecem. Há garrafas azaradas. Mas quando a exceção é a única que se salva e a regra é o desperdício, deixa de ser azar e passa a ser um problema.

Dói ver um vinho com esta idade, com esta ambição e com esta apresentação acabar pelo ralo. Mais ainda quando a esperança insiste em regressar a cada nova garrafa aberta.

Hoje acabou-se a paciência. E mais uma garrafa.

Pela pia abaixo. Onde, infelizmente, este vinho parece sentir-se em casa.

Infelizmente nunca me enganou. Ainda bem que não tenho mais nada deste senhor.....nem mais um tostão.

Às vezes, quando temos convidados, a mesa ganha uma estranha fome. A comida que parecia suficiente deixa de o ser, como ...
07/06/2026

Às vezes, quando temos convidados, a mesa ganha uma estranha fome. A comida que parecia suficiente deixa de o ser, como se a conversa também precisasse de alimento. E então, quando todos pensavam que já estava tudo servido, vieram os rojões com papas.

Coisas do Minho. Daquelas receitas que não se explicam bem, levam-se à mesa e percebe-se tudo à primeira garfada. Quem vem de fora f**a sempre surpreendido. Quem é de cá sabe que os rojões não são apenas comida: são memória, tradição e uma forma muito minhota de dizer a alguém que é bem-vindo.

O Quinta Seara d’Ordens Reserva 2022 é um Douro que mostra bem o equilíbrio entre a força e a elegância da região. No copo apresenta fruta negra madura, notas de ameixa e frutos silvestres, envolvidas por apontamentos de especiarias e um toque subtil de madeira bem integrada. Na boca revela estrutura, profundidade e taninos polidos, mantendo uma frescura que lhe confere harmonia e persistência. É um vinho gastronómico, que acompanha com distinção pratos tradicionais portugueses, desde carnes assadas aos rojões minhotos servidos à mesa, mostrando que o Douro continua a produzir alguns dos tintos mais cativantes e versáteis do país.

Estou consoladinho da vidinha

É uma das sobremesas que adoro.Hoje, um extraordinário Colheita Tardia Grandjó 1997, um vinho que roça a perfeição: eleg...
07/06/2026

É uma das sobremesas que adoro.

Hoje, um extraordinário Colheita Tardia Grandjó 1997, um vinho que roça a perfeição: elegante, profundo, com uma doçura serena e uma acidez que lhe dá vida e equilíbrio. Cada gole traz camadas de mel, fruta madura e memória.

A acompanhá-lo, uns almendrados da melhor confeitaria de Braga, onde a amêndoa, o açúcar e a tradição se encontram no ponto exato.

Há harmonizações que resultam. E depois há aquelas raras ocasiões em que tudo parece encaixar naturalmente, como se o vinho e a sobremesa se tivessem esperado durante anos para se encontrarem no mesmo instante.

Uma pequena felicidade no fim do almoço...

Estou consoladinho da vidinha

Hoje o bom tempo pediu brasa, fumo e cozinha ao ar livre. Foi dia de estrear a Ninja Woodfire para um almoço que soube a...
07/06/2026

Hoje o bom tempo pediu brasa, fumo e cozinha ao ar livre. Foi dia de estrear a Ninja Woodfire para um almoço que soube a verão: costela de bovino e costeletas de borrego, cozinhadas lentamente até f**arem tenras e cheias de sabor.

A acompanhar, umas batatas fritas douradas e estaladiças, tomate fresco e pickles de cebola roxa, que deram o contraste perfeito entre a doçura da carne e a acidez dos legumes.

Há refeições que alimentam e há refeições que f**am na memória. Esta foi das segundas. Simples, rústica e absolutamente divinal.

No copo, um magnífico 200 Monges Reserva Branco 2010, elaborado a partir da casta Viura. Um vinho que o tempo tratou com respeito e sabedoria, revelando uma complexidade rara, onde as notas de fruta madura, mel, frutos secos e subtis apontamentos de baunilha e especiarias se fundem numa harmonia impressionante. Com uma textura envolvente, frescura ainda bem presente e um final longo e elegante, mostrou como os grandes brancos também sabem envelhecer com nobreza, elevando toda a refeição a outro patamar.

Estou consoladinho da vidinha

Em preparação...
07/06/2026

Em preparação...

Há qualquer coisa de profundamente bonito em cozinhar sobre brasas. Sem merdas, sem pressas, sem atalhos. Apenas o fogo,...
06/06/2026

Há qualquer coisa de profundamente bonito em cozinhar sobre brasas.
Sem merdas, sem pressas, sem atalhos. Apenas o fogo, a lenha transformada em carvão, o crepitar da lareira e o tempo a fazer o seu trabalho.
Hoje o almoço foi assim: umas belas costelas e bifes da vazia a grelhar devagar sobre o calor vivo das brasas, envolvidas pelo fumo leve que só a lenha sabe oferecer.
À volta, a pedra escurecida pelo uso, as cinzas acumuladas de muitos almoços e conversas, o alumínio amarrotado, os gestos simples de quem cozinha como se fazia antigamente.
Há sabores que não vêm apenas da carne ou do tempero; vêm da rusticidade, da paciência e dessa ligação primitiva ao fogo. E talvez seja por isso que uma refeição feita na lareira sabe sempre um pouco mais a casa.
No copo, um verdadeiro regresso ao Dão de outros tempos, um Pipas Reserva 1991 mostrou como os grandes vinhos sabem envelhecer com dignidade. Mais de três décadas depois da vindima, apresentou-se sereno, complexo e elegante, com os aromas terciários a dominarem a prova, que só o tempo consegue oferecer.
Na boca, já sem a exuberância da juventude, mas com uma harmonia difícil de encontrar nos vinhos modernos, acompanhou na perfeição a rusticidade das carnes grelhadas na lareira.
Um vinho que não se bebe apenas pelo prazer do sabor, mas também pelo privilégio de provar um pedaço da história vínica portuguesa.
Estou consoladinho da vidinha

Hoje o jantar foi daqueles que nos fazem abrandar o ritmo e apreciar os pequenos prazeres da mesa.Um reconfortante guisa...
05/06/2026

Hoje o jantar foi daqueles que nos fazem abrandar o ritmo e apreciar os pequenos prazeres da mesa.

Um reconfortante guisado de potas com camarão, cheio de sabor e profundidade, acompanhado por batata cozida e fatias de pão caseiro torrado, perfeitas para não deixar escapar uma única gota do molho.

As potas são muitas vezes injustamente vistas como um ingrediente menor, mas a verdade é que, quando bem preparadas, revelam uma riqueza de sabor e uma textura extraordinária. Na cozinha tradicional, têm lugar próprio à mesa e mostram que a qualidade de um prato não depende do preço ou do prestígio dos ingredientes, mas sim do respeito com que são tratados e cozinhados. Hoje, este guisado foi mais uma prova de que as potas estão longe de ser um desprezo da gastronomia.

No copo, um Alvarinho de 2018 da Quinta de San Joanne que surpreendeu pela sua magníf**a evolução. O tempo trouxe-lhe uma complexidade e elegância notáveis, com uma frescura ainda bem presente, mostrando como alguns vinhos sabem envelhecer com uma dignidade admirável.

Há jantares que alimentam. E há jantares que f**am na memória. Este foi claramente dos segundos.

Estou consoladinho da vidinha

Hoje dispensei os floreados da gastronomia moderna e fui direto ao essencial: ossos.Nada de espumas, reduções ou nomes i...
04/06/2026

Hoje dispensei os floreados da gastronomia moderna e fui direto ao essencial: ossos.

Nada de espumas, reduções ou nomes impronunciáveis. Apenas um majestoso osso assado, fumegante, carregado de tutano, essa manteiga primordial que lembra ao ser humano de onde veio e porque ainda vale a pena sentar-se à mesa.

Enquanto alguns contam calorias, eu contei vértebras ancestrais. Enquanto outros procuram a felicidade em retiros espirituais, eu encontrei-a no fundo de um osso.

Há quem veja um resto. Eu vejo uma obra-prima.

Crosta tostada, sal, pimenta, um toque de fogo e, no interior, aquele ouro branco e tremelicante que faz qualquer nutricionista levantar uma sobrancelha e qualquer carnívoro derramar uma lágrima de emoção.

Para acompanhar este banquete de ossos e tutano, escolhi um Dos Cielos 2019. Um vinho argentino profundo e elegante, nascido do encontro entre Mendoza e a Patagónia, cheio de fruta negra madura, especiarias e notas subtis de carvalho. Estruturado, persistente e com uma notável capacidade de envelhecimento, mostrou-se o parceiro ideal para a intensidade do tutano fumegante. Há harmonizações técnicas e há harmonizações que nos fazem sorrir. Esta pertence claramente à segunda categoria.

Comi como um homem das cavernas e bebi como um aristocrata

Estou consoladinho da vidinha

Hoje fiz algo de que gosto imenso. Daquelas comidas que me transportam imediatamente para a infância. Quando era miúdo, ...
03/06/2026

Hoje fiz algo de que gosto imenso. Daquelas comidas que me transportam imediatamente para a infância. Quando era miúdo, devorava pratos destes sem pensar duas vezes. E agora vejo os meus filhos a fazer exatamente o mesmo.

Ao jantar houve arroz de gambas com filetes de pescada. Um prato simples, mas há coisas simples que, com o tempo, se tornam complexas. Carregam memórias, afectos, pessoas que já não estão à mesa e momentos que continuam vivos dentro de nós. Talvez seja por isso que certos sabores nos inquietam tanto.

Para acompanhar, um vinho de que sou verdadeiramente fã. Um daqueles vinhos que, para mim, são quase obrigatórios nas primaveras mais quentes e nos dias de verão. Vem de uma das regiões de que mais gosto em Portugal: a costa alentejana, mais concretamente da Zambujeira do Mar.

Confesso que sou um fanático por este vinho. Tem, no entanto, um pequeno senão: o preço. Ainda me recordo de o comprar por cerca de 6 euros. Compreendo perfeitamente que os preços evoluam ao longo dos anos, mas o salto para os cerca de 13 euros que custa hoje já se faz sentir na carteira.

Ainda assim, há prazeres aos quais é difícil dizer que não. E este continua a ser um deles.

Estou consoladinho da vidinha

Chegou a época das churrascadas
03/06/2026

Chegou a época das churrascadas

Endereço

Braga
4700

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