29/08/2026
Há refeições que....parou tudo!
Começámos com umas vieiras coradas, servidas com caril de coco cítrico, laranja e aquela textura crocante da broa. Um prato delicado, mas cheio de contraste, a doçura da vieira, a acidez, o perfume dos citrinos, o lado exótico do caril… tudo no ponto.
Depois veio o risotto de polvo. Cremoso, intenso, guloso, com o polvo a aparecer em diferentes texturas e pequenos apontamentos verdes a cortar a riqueza do prato. Daqueles risottos em que, depois da primeira garfada, já sabemos que vai ser difícil deixar alguma coisa no prato.
E para acompanhar, uma garrafa que transformou o almoço noutra coisa: Gonçalves Faria Branco 2014, Bairrada.
Uma produção de apenas 1832 garrafas, já com doze anos de evolução, e absolutamente extraordinário. A cor no copo denunciava logo o tempo, mas o vinho estava vivo, complexo, profundo, elegante. Daqueles vinhos que mudam a cada minuto e que nos obrigam, de vez em quando, a pousar os talheres e voltar ao copo.
Podia falar de aromas, acidez, evolução, comprimento de boca… mas há momentos em que as palavras começam a atrapalhar.
Este vinho estava simplesmente indescritível.
E talvez os melhores vinhos sejam precisamente esses: os que, por alguns minutos, nos fazem desistir de tentar explicar. E acima de tudo estar com a mulher e os filhos, só isso.
Vieiras, risotto de polvo e um Gonçalves Faria Branco 2014. Um almoço que vai f**ar na memória...
Estou consoladinho da vidinha