09/12/2021
O Douro é uma região cheia de talento. E reflexo disso mesmo são Gustavo Roseira, designer de comunicação de vinhos, e António Santos, artesão de instrumentos de corda.
Quando o que somos é Douro, o futuro tem tudo para ser brilhante.
“NAUvegar” é verbo novo. Assim. Inventado à medida de um projeto inovador sem medo de fazer, e escrever, diferente.
Na verdade, o primeiro nome que Gustavo Roseira queria dar à sua empresa de Design era NAV: Porque em tempos a letra V se lia U, e a palavra ganharia um duplo sentido. Remeteria para Nau - os barcos dos descobrimentos - mas também para NAV – o veículo dos descobrimentos do futuro. “No fundo, era uma metáfora do que fazes como designer: brincas entre o passado e o futuro. Usas instrumentos e conceitos e transformá-los em coisas novas. Estamos sempre a construir em cima do que já existe e a inovar”, explica Gustavo.
Foi com uma certa frustração que percebeu que já havia uma empresa com esse nome. Mas foi com ousadia que inventou a solução: nascia a Nauvegar.
A ideia de começar o seu negócio próprio de Design e Branding especializado no mercado do vinho foi algo que surgiu depois de outras experiências profissionais.
Apesar de ter nascido numa família com tradição na produção vinícola há já 5 gerações, o peso da herança não o sentiu. Fez outras escolhas. Ajudava ao pai quando ia a feiras Internacionais, mas gostava de 3D e design gráfico e acabou por ir para Lisboa trabalhar nessa área.
No entanto, tal como o pai, que cresceu no Porto, mas voltou a Covas do Douro, para seguir o caminho do vinho e retomar a produção da família, também Gustavo voltou às raízes. Como tinha a experiência de Design e 3D, surgiu a ideia de combinar paixões e fazer algo no mundo dos rótulos.
No início, tinha muitas dúvidas e apenas uma certeza: não queria que o pai fosse o seu primeiro cliente. “O mundo dos vinhos é muito grande, mas estranhamente as pessoas acabam por se conhecer todas umas às outras… E eu tinha a certeza de que se começasse a fazer rótulos para o meu pai eu ía ser conhecido como o tipo que faz o que faz por causa do pai”. E esse era um rótulo que Gustavo não queria.
Os primeiros clientes surgiram. O boca a boca funcionou e o trabalho começou a aumentar.
Em paralelo, continuou com o pai a organizar uma feira alternativa de vinho no Porto. A iniciativa começou pequena. A primeira edição foi feita de telefone na mão, a convidar 13 amigos, em jeito de desafio, “olha, queres vir?” e ao todo reuniram-se não mais de 100 pessoas, numa pequena cave, na Ribeira.
Hoje, a feira alternativa que junta vinho, gastronomia e arte já conta com mais de 60 produtores, muitos deles internacionais, e só não são mais porque Gustavo não quer perder esse lado único e alternativo. “Queremos estar fora das massas. Não queremos ser grandes demais”.
Em qualquer dos seus projetos, o foco está sempre na diferença. “O que fazemos em Portugal ainda pode ser considerado um pouco conservador no mundo do vinho”, diz-nos. E a sua empresa quer ajudar a mudar essa imagem, dando-lhe outras dimensões.
Assim, com vista para o Douro, nascem rótulos, mas também projetos de marketing. A empresa de Design de Gustavo Roseira tornou-se especialista em comunicação de marcas deste segmento. Trabalham em todas as regiões do país, incluindo Açores e Madeira. Mas o Douro é a sua varanda. O seu berço. “No Douro, há tanto sangue novo, tantos novos enólogos, muitos que voltaram para recuperar negócios da família. Há muito quem queira fazer diferente, arriscar”.
No Douro, mais do que raízes, Gustavo encontrou espaço para crescer. E com o seu trabalho criativo, há um estigma que também quer combater: “Ainda existem muitas empresas daqui que vão buscar estes serviços criativos fora; ainda sinto que as pessoas acham que por o estúdio ser daqui talvez não seja tão bom como se estivesse em Lisboa ou Londres”, lamenta.
Gustavo quer mostrar que os santos da casa fazem milagres tão bons ou melhores que os de fora. Hoje, mais do que nunca, a criatividade não tem por que ter limites geográficos. O mundo é global. Digital. Sem fronteiras. E a sua empresa, já com trabalhos premiados, que desenha alguns dos rótulos dos mais conceituados vinhos do país, quer ser a “Nav” a explorar esses novos mundos.
Porque no Douro, “Nauvegar” é sempre preciso!
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