05/06/2026
Quando chegámos à Fitapreta, encontrámos um território que há mais de 100 anos estava em pousio, com vacas em modo extensivo. Um território único, com uma posição privilegiada, atravessado por sete linhas de água, incluindo o aqueduto que em tempos abasteceu a cidade de Évora. Foi daí, então, que partimos - do que já era para o que haveria de ser.
Plantámos as vinhas neste território, onde as águas subterrâneas nos permitindem produzir em sequeiro, sem rega, onde as vinhas aprofundam raízes para ir beber a água subterrânea. Vinhas de passado, vinhas de futuro. Com castas autóctones, resilientes ao calor e à secura, muitas do encepamento antigo do Alentejo, habituadas ao stress. Para cuidar das nossas vinhas, contratámos as melhores trabalhadoras: cerca de 70 ovelhas da raça Merina Preta que comem a erva daninha e fertilizam os solos. Mantivemos também a agrofloresta, que potencia a resiliência das culturas, melhora a qualidade dos solos e aumenta a nossa capacidade de absorção de CO2. Além de servir de sombra às vinhas, o que muito ajuda nas ondas de calor alentejanas.
Na adega que construímos em 2017, junto ao paço medieval de 1306 que reabilitámos na mesma altura, o revestimento em cortiça foi escolhido não só pela forma como se integra perfeitamente na paisagem alentejana mas sobretudo pela sua capacidade de isolamento térmico. As portas de vidro em todas as divisões permitem-nos trabalhar sem luz artificial a maior parte do tempo. E o declive natural do terreno foi aproveitado para trabalhar com a gravidade na adega, sem bombas. Tal como a vindima nocturna, que nos permite poupar na refrigeração das uvas.
É uma soma de pequenas grandes escolhas que partem todas da mesma intenção: Preservar. Respeitar. Traduzir da forma mais fiel possível, com o menor impacto, aquilo que é este território, em toda a sua multiplicidade e história. Os solos, as castas, os métodos, as pessoas. O nosso Alentejo, posto em garrafa.