13/07/2026
Foi um fim de semana e tanto.
Aceitar o convite para representar o Conselho Português de Gastronomia no Tapiscos, em Gouveia, foi mais do que participar num festival. Foi voltar a acreditar naquilo que mais me move enquanto profissional: a ciência ganha sentido quando se transforma em experiência partilhada, e o conhecimento vale mais quando liga pessoas a lugares.
O tema que levámos foi a fruta, integrada na recriação do ecomarket, com sumos de época aromatizados com hortelã, feitos sem gastar um único watt de eletricidade. Só o pedalar, o exercício, o gesto de quem produz o próprio sumo, enquanto descobre os múltiplos benefícios da fruta da época. Ciência, movimento e sabor, ao mesmo tempo.
A quem organiza, se dedica e se envolve para que cada visitante viva um momento de partilha e aprendizagem genuínas, o meu reconhecimento profundo. Ao curador, , ao Município de Gouveia, à Associação Julião e ao Instituto de Gouveia, Escola Profissional, que juntos tornam este festival possível há mais de uma década. Sabem receber bem. Sabem fazer acontecer. E isso, no trabalho de educação alimentar, vale mais do que qualquer discurso.
Entre um petisco e outro, houve tempo para mergulhar na cultura de Gouveia: o Museu d’Avó, com os seus utensílios que contam gerações de vida rural, a obra de Abel Manta, a paisagem da Serra da Estrela que enche os olhos e a alma, o arroz de carqueja e as feijocas que souberam a memória e a terra. E, claro, a visita a Aldeias, a freguesia gouveense onde está sediado o
Cuidar das pessoas. Cuidar da natureza. Preservar sem deixar de inovar.
É este o caminho e Gouveia mostrou, mais uma vez, que sabe percorrê-lo com autenticidade.
Obrigada, Tapiscos. Obrigada, Paula Pires. Até para o ano.