03/02/2026
simplesmente... João Tavares de Pina WINES 🍷
𝐒𝐢𝐧𝐠𝐮𝐥𝐚𝐫𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐭𝐚𝐥 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐡𝐚́ 𝐝𝐨𝐢𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐢𝐠𝐮𝐚𝐢𝐬.
Como alguns sabem, outros desconfiam e simplesmente… muitos ignoram, o João Tavares de Pina é . Melhor é “the unstoppable”, qual “o melhor vinho do mundo” ou, à moda-tipo-de-agora, . Este Rufia tem estado empenhado na recuperação de um montão de castas do , esquecidas ou em vias de extinção.
Esperainde novidades lá para daqui a alguns anos. Para já seguiram duas perguntas à moda das Beiras.
P1: Conta-nos, o que estás plantando, porquê e aonde?
R: Temos plantados 15 ha. Alargamos o encepamento a mais variedades regionais, sobretudo a castas finas, com predominância de caracter terroso nas tintas e citrino e acídulo nas brancas. As plantações foram efetuadas em parcelas históricas que estão em pousio há 30 anos, todas elas muradas, bem representativas da matriz do Dão: afloramentos xistosos com solos mediterrânicos pardos não húmicos. Este tipo de solos, pelo seu elevado teor de argila (existem mesmo algumas manchas de barro), com uma frequência relativamente diminuta na região do Dão, permitem ciclos mais longos com maturações mais lentas originando vinhos mais profundos e intensos, contribuindo também de uma forma extraordinária para a originalidade dos vinhos. Parcelas distintas dedicadas a: Torre de Tavares, Jaen, Tinta Pinheira, Encruzado, Bical/Cerceal, e depois ainda as que servirão à recriação de novas velhas coisas: Terrantez, Barcelo, Uva Cão, Siria, Verdelho, Arinto, Malvasia, Gouveio. Tudo isto vai permitir fazer também um Terras de Tavares Branco, um clássico com pelo menos 7 Castas, depois um Terrantez amarelinho de longa curtimenta, e mais se verá…
Nas tintas, para além do Jaen e a Tinta Pinheira que são componentes maioritários dos meus vinhos, Bastardo, Alvarelhão, Baga e Touriga Nacional. Os lotes são feitos na vinha, como sempre se fez no Dão, unicamente pelo estabelecimento de um correto equilíbrio ácido. Também temos duas parcelas que são o nosso banco genético onde estão instaladas mais de 30 diferentes variedades, praticamente todas as castas que fazem parte do património do Dão.
Regenerar é sequestrar carbono; é o que fazemos há mais de 30 anos com cobertos naturais. Quando começámos, quem nos visitava, os que se dizem hoje pioneiros, consideravam que tínhamos as vinhas ao abandono. Temos absoluta preocupação com a biodiversidade local e a consciência absoluta de que só um solo vivo tem capacidade de expressar a sua identidade, sem carbono não há vida no solo, f**a só o pó.
Para contribuir para a tal biodiversidade autóctone, que tanto nos inspira, as cabeceiras e as bordaduras das parcelas estão preenchidas com espécies aromáticas e melíferas, onde a presença do rosmaninho (Lavandula stoechas) é dominante.
As uvas que produzimos, absolutamente orgânicas, são transformadas de forma natural, através de fermentações espontâneas, sem adição de qualquer tipo de produto.
Utilizamos sulfuroso ao engarrafamento, unicamente, e, em doses muito reduzidas.
P2: Sentes-te mais Rufia ou Azia?
R: Completamente Rufia, sempre pronto para mais uma aventura, para mais um desafio, com uma avidez cada vez maior pela informação, pelo conhecimento. Só necessito é de controlar os impulsos, os excessos desta tisana transformam-me numa criança sempre pronta a estilhaçar vidraças, com mais precisão agora, já não as parto, só deixo pequenos furos por onde se esvaem as notas doces e besuntadas com que nos querem agoniar.
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Penalva do Castelo