06/08/2026
Um Ramisco jovem? 2025? Sim, com a ajuda da casta molar, em versão Clarete.
A inspiração para este projeto encontra-se na antiga "Monda", designação local associada à vindima antecipada das castas mais precoces, entre as quais a Molar. Durante gerações, muitos vitivinicultores de Colares produziam, para consumo próprio, vinhos que resultavam da fermentação conjunta ou loteamento destes vinhos com o Ramisco, vindimado e vinificado mais tarde. Numa época em que a maioria das explorações familiares não dispunha de condições para suportar os longos estágios necessários para domesticar a marcada estrutura tânica e acidez do Ramisco, a Molar desempenhava um papel fundamental.Conhecida na Madeira como Tinta Negra e nos Açores como Saborinho, mas com maior antiguidade e variabilidade genética em Colares, a Molar aportava suavidade e fruta, atenuando o carácter austero do Ramisco, permitindo obter vinhos mais prontos, descomplicados e apreciados ainda jovens. Esta prática, profundamente enraizada na cultura local, constituía uma resposta pragmática às condições económicas e produtivas da região, mas acabou por desaparecer à medida que o paradigma dos grandes vinhos de guarda de Colares se consolidou.Este clarete procura precisamente revisitar essa memória. Sem renunciar à identidade atlântica que define os vinhos de Colares, oferece uma leitura mais leve do terroir. A vinificação privilegiou a elegância sobre a extração, resultando num vinho de cor aberta, marcada frescura e expressão aromática subtil, onde a tensão do Ramisco encontra equilíbrio na suavidade da Molar. Mais do que uma interpretação contemporânea, este vinho é um exercício de recuperação histórica: um regresso a uma tradição doméstica de Colares que durante décadas fez parte da vida dos seus vitivinicultores e que merece voltar a ser conhecida. Já disponível!