14/05/2026
Hoje é Dia da Espiga 🌾.
Para muitos, é apenas mais uma data no calendário, mas para quem viveu a Lisboa de outros tempos, como nós, este dia é um portal para a infância, como se de uma viagem no tempo se trata-se.
Lembro-me bem: em cada canto da cidade, à saída das estações de Metro ou nas paragens mais movimentadas dos elétricos e autocarros, o cenário era o mesmo. Não havia publicidade digital que ganhasse às vendedoras típicas e aos seus cestos cheios de ramos. Era ali, entre o barulho dos travões e a pressa de quem voltava para casa, que a tradição se impunha.
Este desenho que partilhamos, é o retrato dessa memória. Tem a cor da nossa inocência e a simplicidade de uma época em que aprendemos o código para uma vida farta:
Espiga: O pão que nunca pode faltar. 🥖
Papoila: O amor que nos move. ❤️
Videira: A alegria de viver. 🍇
Malmequer: A abundância em todas as coisas. 🌼
Oliveira: A paz necessária no lar. 🕊️
Alecrim: A saúde para aguentar o caminho.
Hoje a cidade mudou.
As vendedoras deram lugar à pressa e os ramos autênticos foram muitas vezes substituídos por versões plastificadas de supermercado. A Lisboa que cheirava a campo no meio do betão está a tornar-se uma peça de museu, mas a nossa memória resiste.
Publico este desenho porque ele é mais real do que qualquer foto de estúdio. Representa o tempo em que a sorte se apanhava na rua e se levava para casa com um sorriso.
E vocês? Ainda se lembram do cheiro do alecrim nas carruagens do Metro ou sou eu que estou a ficar nostálgica demais?
Aqui por terras de Trás-os-Montes é tão diferente, por aqui os campos estão recheados destes ramos, e pássaros a cantar.
Não, não é romantismo, é a pura realidade!